Palavras, palavras e palavras
Com palavras ganhamos o mundo
Com palavras destruímos uma vida
Com palavras distribuímos sorrisos
Com palavras espalhamos lágrimas
Palavras, palavras e palavras
Palavras boas
Palavras más
Palavras de amor
Palavras de ódio
Palavras de alento
Palavras de desprezo
Palavras, palavras e palavras
Vazias ou cheias
São nossas
Levam-nas o vento
Trazem-nas o tormento
Cantamos as palavras
Dançamos as palavras
Vivemos as palavras
Morremos de palavras
Esquecemos que a ausência das palavras
São os momentos mais bonitos
Em silêncio conheço-te
Olhos nos olhos
Não há palavras
Palavras... ao vento
Não as quero.
Vou de porta em porta procurando
Procuro uma vida feliz que me receba
Não procuro o amor,
Não aquele que dizem fazer milagres
Procuro a felicidade
Aquela que não dá espaço à tristeza
Aquela que sorri perante a mágoa
Sigo batendo a cada porta
Lágrimas tristes
Rostos de sorrisos apagados
Aparecem à porta
Carregando no peito
A luz de uma esperança já gasta
Esperam pela sorte que lhes bata à porta
Desiludem-se ao ver que sou eu
Apenas eu, que procuro a felicidade
Porta que se fecha atrás de porta
Trancas que ouço do lado de fora
Mandam-me embora sem deixar entrar
Outra porta a que bato
Outra porta que se fecha
Da esperança vivemos todos
Eu sigo procurando
Parada não quero ficar
Desço esta e aquela rua
Passo por esta e aquela casa
Olho para esta e aquela cara
Procuro uma vida feliz
Procuro a solução
Apenas encontro as tristezas de vidas vazias
Que páram no tempo à espera
Perdem sorrisos
Ganham lágrimas
Perdem a vida
Ganham o vazio...
Na noite cerrada de inverno
O frio percorre ruas e ruelas
Invade as casas desabrigadas
Congela quem na rua vive
Não tem dó do pobre
Não faz prisioneiros
A morte é sua companheira
De foice na mão lavra os campos
A cidade fica nua e despida
Empodrecida
Ruas vazias carregadas de corpos
Estendidos pelo chão
Enrolados em si
Um aqui
Outro ali
Espalham-se em pequenos montes
Transparentes a olho nu
Invisíveis à vista comum
São peças da casa
Retratos de uma qualquer cidade
É a lei da civilização
Morre quem não tem dinheiro
Não compra a vida
Não compra a saúde
Morre sozinho quem nada tem
Morre na rua
Largado
Abandonado
Deitado no chão
Morre de noite
Pobre vagabundo
Nobre já terás sido
Agora és varrido
Junto com o outro lixo
Amigos, amor e saúde
Não se compram
Mas perdem-se com o dinheiro
Choram perdidos nos cantos
Meninos de rua sujos e imundos
Crianças indesejadas
Maltrapilhos
Maltratados
Quem os quer?
Ninguém
Não são meus
Não são teus
Problemas têm demais
Aos nossos olhos são invisiveis
Não o seriam se os quisessemos ver
Um véu abate-se sobre quem passa
E o menino de cara podre
Fica ali de mão estendida
Preto da sujidade
Sujo da rua
Sujo da vida
A sua história ninguém sabe
Nem quer saber
Olhos tristes
Vazios
Ocos
Se algum dia tiveram brilho
Ninguém sabe
Se sabem não dizem
Nem ele já se lembra
Não sabe a cor dos seus olhos
Não sabe a idade
Sabe o nome
Aquele que ganhou na rua
"Mãozinhas"
"cinco dedos"
Nomes do ofício
Ganhos com suor
E trabalho... muito trabalho
Na rua não há tempo para brincar
Não é lugar de crianças
E a cada canto uma criança
Uma criança perdida
Nesta e noutra vida
Com histórias desencantadas
De perigos e monstros
Sem princípe nem princesa
Pés descalços de verão ou inverno
Lá vais tu, criança perdida
Chorar para o teu canto
Onde todos passam
E ninguém te vê
Triste é o fado que se canta em português
Pois em mais nenhuma outra língua é cantado
Triste é a imagem que passa quem chora
Pois jorra lágrimas que outros não conhecem
Triste é tudo o que fica longe de quem deseja
Pois não há dor tão grande como querer e não ter
Triste é ver que o mundo não avança com o sonho bom
Pois é destruído com os pesadelos de quem não ama
Triste é ver a terra negra depois do fogo passar
Pois fica de luto o coração de quem nela vive
Triste é ver a criança que chora na televisão
Pois morre o pai, a mãe e o irmão na bomba amiga
É triste, pois é
É este o nosso mundo, carregado de tristezas
Mas há esperança quando um sorriso nasce inocente
Sai dos lábios de uma criança e é contagiante
Um dia este mundo terá de ser bom
E tudo o que hoje é triste serão apenas recordações.
Eu tenho um sonho...
Tristes são as palavras que fogem de ti
Triste é o olhar que carregas hoje
Sem brilho, sem cor
Está baço e perdido
Triste é o teu perfume
Tristes são todos os teus movimentos
Procuro um sorriso em ti
Mas é triste
E nada me entristece mais
Ponho a mão no teu peito
Quero sentir o teu coração
É triste o seu bater
Pulsa lento e desorientado
As tuas mão pendem ao lado do corpo
Curvas as costas e baixas a cabeça
Essa tristeza que levas pesa-te
Como uma cruz que tens de carregar
Quero aliviar-te do tormento
Tirar-te essa tristeza
Carregá-la eu comigo
Começo por sorrir para ti
Olho-te nos olhos
Procuro uma resposta nos teus lábios
Um toque leve nas tuas faces
Umas cócegas talvez
Uma mão na tua
Dedos entrelaçados dizendo
"Estou aqui, do teu lado"
Apertas a mão e aproximas-te de mim
Sinto o teu leve respirar
Num múmurio ouço a tua voz
Deixas escapar um obrigado
E entregas-te à tristeza
Lágrimas soltas que nascem dos teus olhos
Rios transformados em mar
Nascem também em mim
Nunca te deixaria chorar sozinho
Não a ti, meu amigo
E assim sinto tua tristeza aliviar
Levantas os olhos e sinto essa leveza
Um sorriso desenha-se na tua boca
E contagia-me
De tão perto sinto o teu coração
Grita "Estou vivo!!!"
Endireitas-te livre do peso
Levantas a cabeça
E o mundo é teu...
E meu!
A hora vai avançada
Sento-me para escrever
As palavras saiem sem pensar
Curvo-me perante a realidade
Sinto o seu peso nos meus ombros
Sei que não tenho de o carregar
Mas sinto-o comigo
Está em mim
Procuro um lugar
Algo
Onde me esconder
Esta noite está a doer
Não sei porquê
Não sei
Todo este dia doeu
Sinto os olhos pesados
Carregados de lágrimas
Luto contra elas
Mas já estou cansada
Acho que vou deixá-las vencer
Deixa-las correr
Livres como gostam
Como sempre o fazem
Por mais que lute
É cada vez mais difícil
Elas são vencedoras
E eu a eterna perdedora
Quero ser pequenina
Fechar-me no quarto de bonecas
Inventar histórias de amor
Brincar horas sem fim
E depois regressar ao mundo
Como criança contente
Feliz com a sua brincadeira
Quero ser pequenina
E inventar vidas
Mudar se não gostar
Fazer da tristeza a felicidade
Num abrir e fechar de olhos
Apagar o mal
Voltar atrás e recomeçar
Criar um mundo de adultos
À imagem dos olhos de criança
Sorrisos a preencherem o ar
Risos como música rasgando silêncios
Corações felizes a cada canto
Um conhecido
Um amigo
Um amor
Quero ser pequenina
E mostrar a todos o caminho
Que esquecemos com o passar dos anos
Aquele que se ganha com um abraço
Um olhar ou um sorriso
Na pequenez da infância
Está a solução de tanto mal
Quero ser pequenina
E este mundo não conhecer!
Fica-te pelo sonho
Porque esta realidade é vil
Deita-te e fecha os olhos
Encolhe-te nesse mundinho
Fecha as portas a sete chaves
Recolhe-te
Não deixes ninguém entrar
Fica-te pelo sonho
Porque este mundo faz-te mal
Viaja nessas florestas encantadas
Por vales e montanhas
Só tu e o verde
Por cascatas enfeitiçadas
Fica-te pelo sonho
Da felicidade que não tens
Foge desta terra cruel
Voa para outros mundos
Salta de estrela em estrela
Viaja na cauda de um cometa
Fica-te pelo sonho
De voltar a ser criança
De correr e brincar
Cair e logo levantar
Sorriso inocente
Encantador
Fica-te pelo sonho
De adormecer
E tudo desaparecer
E ao abrires os olhos
Uma nova vida
Um novo sonho.
Queres ir alto
Pulas
Saltas
Atiras-te
Queres ganhar asas
Queres voar
Ser livre
Sentir o vento em ti
Sentir a leveza de ser
Queres ver a terra do alto
Subir acima do topo do mundo
Mais queres tu
Sempre mais
Crias as tuas asas
E voas
Sobes alto
Mas ainda mais alto queres ir
Não ficas contente
Sentes a gana de subir mais
As asas crescem com a tua vontade
Maiores vão ficando
E mais alto vais voando
Sempre e cada vez mais
O céu já não é o limite
Ao sol queres chegar
Abraças agora o mundo
Com as asas que sonhaste
Voas pela estrada das estrelas
Rumo ao sol
Bola de fogo gigante
Queima-te as asas ao tocar
Cais por terra
E morres
Sem asas
Sem sonho
O céu foi teu
És agora da terra.
Voas alto, bem alto nesse céu
É teu e és livre
Voando assim pareces tão belo
Espalhas o teu perfume
Inundas as almas pobres
Com esse aroma enganas todos
Nesse vôo de beleza
Alto e maravilhoso
És quem sonha
És quem ilude
És...
Quem?
Enganas e cais
Desse teu céu
Onde voavas livre
Ninguém te olha agora
Sozinho ficas
Sem asas para voar
Despenado e despido
Ficas caido
Nesse chão sujo
Onde fizeste a tua cama
Pobre anjo
Pobre diabo
Qual serás?
Voavas alto, bem alto
No céu que foi teu
Tiram um bocado aqui
Outro além
Mais um ali
E olha aquele que ainda tem
Vão enchendo o papo
Grão a grão
Não como as galinhas
Mas como alarves que são
Esfomeados de tudo o que é alheio
Varrem tudo à procura de mais
Roubam o pão
O milho e o centeio
Roubam tudo o que houver
E voltam para o demais
Ocos por dentro
Feios por fora
Mascaram-se com asas de anjo
Prometendo salvar do bicho papão
Lutas e quimeras lançam
Sobre um povo já cansado
Chamas de ódio espalham
Deixando assim largado
Ao abandono e solidão
Todos os que neles acreditaram
Pobre povo inocente
És agora papado
Culpado
Apenas da tua própria ignorância
A vida é dura, meu irmão
Pensas que és dono dela
Julgas que a tens na mão
E quando menos esperas
Rola-te o mundo pelo chão
Agarra o que tens de bom
Deita fora esse mal que é teu
Ama quem te ama
Não desprezes quem te quer
Guarda junto de ti quem te faz bem
Não desperdices a felicidade
Não jogues fora tudo o que é bom
Não brinques com os amigos
Aprende a amá-los
Ajuda-os e não rebaixes
A vida é dura, meu irmão
Quando abrires os olhos vais ver
Que o teu mundo não existe
Quem magoas sai do teu caminho
E não mais volta
É bem dura, esta vida
Não te julgues mais que ela
Apanha-te à traição
E faz-te pagar bem caro
Amor, cegueira e paixão
Tudo o que sentiste por engano
Ela usa e abusa em ti
Como já tu usaste e abusaste
Não te julgues mais que ela
Pois és jogado no chão
E por todos pisado
Nesta vida não há dó nem piedade
A vida é dura, pois então
Abre os olhos, meu irmão
Procuro um sonho lindo, um sonho que me tire desta realidade ofegante, assassina e sufocante.
Tento dormir horas sem fim para encontrar o sonho, mas ele tarda em vir e a dormir não posso ficar. A realidade dói, mas tenho de a enfrentar. Não penses que por isso desisto de encontrar o sonho, não! Nem pensar nisso, não desisto do meu sonho. Sei que ele será cor-de-rosa, ou azul bebé... talvez um verdinho água ou seco, ou até castanho esverdeado! Acho que a cor não interessa assim tanto como isso. Não entendo porque é que a minha mãe me desejava sempre sonhos cor-de-rosa quando me ia aconchegar os lençois, a mim e ao meu irmão. Ele refilava “sonhos cor-de-rosa é coisa de menina”!
Sonhar com cores... deve dar para criar arco-íris espectaculares, será arcos-íris? Sei que arco-írises não é de certeza! Será que há plural para arco-íris? Ou só há o singular? Se só há o singular, significa que só há um arco-íris? E se há mais quer dizer então que existem muitos potes com ouro? Que confusão...
Eu só procuro um sonho. Esta realidade é má. Bem que tento dormir, mas muitas são as vezes em que fico presa à realidade. Ocupa-me os pensamentos, negros devem ser, não sei. Porque será que associam sempre o negro a algo de mal? Isto realmente, os humanos têm com cada medo... bem, eu suponho que seja medo da noite, do escuro, do desconhecido! Mas haverá algo melhor do que um passeio nocturno na praia? Aí sonho tanto... aiii como eu sonho. Mesmo acordada, fico longe da realidade e sonho. Outro mundo eu invento, outra vida que vivo, outros sentimentos que sinto... outro sonho!
Por agora procuro um sonho, um sonho divertido, inteligente, alegre e que seja bom companheiro.
Com tanta coisa que se inventa, porque é que não há nenhuma loja onde possamos ir comprar sonhos? Eu não sei se compraria, mas já que há tanta gente a viver o sonho de outros tantos, de certeza que haveria quem quisesse sonhar o sonho de outra pessoa.
O sonho é confuso. O meu sonho é só meu, mas no entanto alguém o há-de viver sem nunca sequer sonhar com isso.
Procuro um sonho que me arranque deste pesadelo.
Procuro um sonho e talvez um dia o possa encontrar, então direi:
Eu tive um sonho e uma multidão aplaudirá o meu sonho!
Num pedaço pequenino do sol
Plantei uma esperança
Reguei-a com lágrimas de amor
E alimentei-a com raios de luar
Sentei-me numa pedra e esperei
A esperança cresceu
Das lágrimas que eu chorei
Uma sombra foi nascendo
Abraçando-me com carinho
Grande se tornou
Floresceu do meu querer
Vida da minha dor
Esperança do meu amor
Num pedaço pequenino do sol
Plantei a minha esperança
Sente a chama queimar por dentro
Vê o fogo consumir-te a alma
Pára e não te mexas
Fica assim, estático
Apático
Não grites
Não chores
Não corras
Não
Não faças nada
Vê tudo o que tens
Desaparecer no meio do fumo
Castigado por um crime que não cometeste
Solta o grito mudo
Que te inunda o ser
Morre assim, lentamente
Com o crepitar
Cada ponto do teu ser
Queimado neste fogo invisível
Qual cancro que se instala
E se espalha
Assim estás contaminado
E preso
Pregado a esse chão
Sem querer nem vontade
De salvar o que ainda podes
De salvar o que ainda és
Já nada te resta
Nem o orgulho da luta
Aquela que já travaste
Aquela que ganhaste
Já nada te move
Amarrado
Como tantos outros
Nas cordas transparentes da ignorância!
Muitas são as vezes em que pergunto “Porquê?”.
Porquê isto? Porquê aquilo? Porquê assim e não de outra forma?
E muitas são as vezes em que o porquê fica sem resposta. Não que ela não exista, muitas são as vezes em que temos resposta para as nossas perguntas, mas simplesmente desviamos o olhar e ignoramos. Porquê? Porque queremos ser cegos para aquilo que não nos agrada. E a vida é assim... por vezes tem destas traquinices e dá-nos algo que não nos agrada. Porquê? Para aprendermos, para podermos saber viver e aproveitar o que ela tiver de bom.
Agora vejo assim, mas quando ela me pregar outra partida já vou perguntar:
“Porquê?
Porquê?
Mas porquê?”
E logo de seguida virá: “Que fiz eu de mal?”
E lanço-me num lamento e nado num mar de lágrimas, desperdiçando as poucas forças que tenho em perguntas para as quais nem sempre quero saber as respostas.
É o grande mal de hoje, não sabemos aceitar o não termos resposta para as perguntas!
Estarei a contrariar aquilo que já escrevi? Não! Nesta vida há espaço para tudo! Espaço para responder a mil porquês e espaço para não obter resposta a outros mil.
Dizem que existe a idade dos “porquês” durante a infância, pois eu sinto-me como se nunca dela tivesse saído! Há tanta coisa para a qual eu preciso de explicação e sou assaltada pelos porquês da vida.
Não preciso que me digam porque é que o sol está no centro das atenções dos planetas, nem porque é que a lua não cai sobre a Terra.
Mas já me pergunto e quero saber porque é que as pessoas são egoístas; porque é que matam e fazem sofrer; porque é que abandonam...
Diz a musica que quando um homem sonha o mundo pula e avança... mas hoje quando um Homem sonha, cortam-lhe as pernas a menos que tenha dinheiro para pagar o sonho. A vida não tem preço... isto para os pobres que não têm dinheiro para a comprar!
É triste ver que quando pergunto porquê? a resposta que encontro é a ganância, o egoísmo... e por detrás de tudo isto, uma enorme infelicidade que alguém adora espalhar!
Há quem defenda que ser-se ignorante é o equivalente a ser feliz. Compreendo, mas não concordo. Ser-se ignorante é não ter capacidade de preocupar, mas como se pode ser feliz assim? Ser feliz... humm... feliz, felicidade, risos e sorrisos, olhos brilhantes, partilhar emoções, mão dada, ombro no ombro, momentos...
Definir felicidade – estado de espírito que dá saúde; que dá juventude!!! Um velho feliz aparenta umas décadas a menos!
- o sorriso de uma criança espalha felicidade em quem o vê!
Um objectivo na vida... ser uma velhota feliz com o sorriso de uma criança.
E tanto porquê que fica por responder... e muitos outros que ainda vou apanhar pelo caminho!!!! Matar a cabeça a perguntar e procurar respostas... bem melhor que muitos que fazem as perguntas mas não se preocupam em procurar a resposta!
O mais caricato de tudo é quando encontramos uma resposta que não tem pergunta, ou que aparece antes da pergunta. Aí não sabemos o que fazer com a resposta, e já sabemos, que uma resposta é sempre uma resposta!! Tem valor, mas que valor lhe podemos dar se nunca a procurámos?
Aiii... porquê?
Verde que se espalha pelo horizonte
Inunda a alma de esperança
Céu brilhante, carregado de estrelas
A lua no alto, grande e gorda sorri
O grilo chama pela fêmea
A noite está calma e serena
Ao longe o sangue começa a subir ao céu
O cantar do grilo dá lugar ao crepitar
Arvores gritam por salvação
Animais choram pela vida
As chamas acordam o mundo adormecido
Iluminam os céus e comem o que lhes aparece pela frente
Deixam o rasto da desolação
A miséria segue-lhes o calor
Abandonam a terra ao negro
Crianças que choram
Gritam por socorro
Correm para a água que não existe
Para apagar um fogo que não se cansa
E ele corre
Qual cão fareja o medo distante
Não há pedra que o segure
Estrada que o impeça
Os braços estica e a outra arvore se agarra
E no fim... nada deixa
Cinzas sobre cinzas
Lágrimas que não apagam as chamas
Dor que não acalma o vazio
E a terra de luto fica vestida
Um dia...
Há sonhos que duram um dia
Há momentos lindos que duram um dia
Há tristezas que perduram dia após dia
Um dia...
Sonho que um dia tudo será diferente
Viverei o momento com alegria
Largarei toda a tristeza que me invadiu
Um dia...
Também tu poderás sonhar
Imaginar momentos que virão
E essa tristeza não mais sentirás
Um dia...
Todo o mundo sonhará
Tudo será um momento
E ninguém conhecerá a tristeza
Um dia...
Espero pelo sonho
Vivo o momento
Largo a tristeza
Um dia...
O sonho sonhado virará o momento e a tristeza perder-se-á no momento do sonho.
Um dia...