Fecho os olhos e espero,
Espero pelas sensações
Espero pelas emoções
Tudo aquilo que já tive
Eu espero...
Ouço o silêncio que rodeia
Paredes vazias de risos,
Chão manchado pela dor.
Choro lágrimas invisíveis
Marcadas pelo fogo que me consome!
Quero gritar,
Com o peito cheio de ar
Quero mostrar ao mundo
Quem eu sou...
Mas nada me sai,
Não há grito que precorra a noite
Em que se tornou a minha vida.
Não sei onde o sol se escondeu
Vejo-o sempre, em breves instantes
Quando abro os olhos
Os últimos raios...
Sinto o seu último calor na cara
Acordo com o coração quente
Por breves instantes...
Breves instantes apenas
É o que me faz adormecer à noite,
É o que me faz adorar a manhã!
Aqueles instantes em que não sei
Em que nada é
Nada existe...
Momentos puros
Que me fazem viver.
Dia após dia
Sigo nesta agonia
Não o sei descrever.
E com um falso sorriso, sigo em frente
Um pé, depois o outro
Passos firmes de um corpo dormente
O sangue gela nas veias
O coração tenta fugir
E a alma... esconde-se para lá da escuridão!
Sento-me na solidão do meu quarto
Espero que as palavras me cheguem
Olho para estes dedos que já muito me deram
E vejo o vazio que agora têm
Olho o tecto e o chão
Observo a aranha que se passeia
Construiu casa no meu lar
E lá vai uma formiga também
Ouço o silêncio que se faz
Um grilo que canta lá fora
Uma mosca que passa a voar
Um gato que mia
O cão que lhe responde
um avião que parte ou chega
Um carro que passa
Um riso de criança na rua
E tudo isto enquanto espero
Numa solidão só minha
Na solidão do meu coração