novembro 30, 2003

Amor Assassinado

Hoje estive à tua porta
Olhei para cima, esperando por ti


O meu coração gritou pelo teu
O grito mudo que só tu ouvias
Ficou sem resposta
Procurei o vento
Esperei que me contasse o nosso segredo
Chorou um sussurro triste
De lágrimas caídas regressei
Com o peso da derrota
Não bati na tua porta
O desejo fica
Junto com a saudade que me deixaste
Entrego-me ao sentimento
Que me afoga pouco a pouco
Cada minuto um mar de lágrimas
Que rolam sem rumo e sem cor
Lágrimas de sangue pálidas
Ávidas de um amor prometido
Mortas por uma promessa quebrada
órfãs de alma, abandonam o corpo
Aqui já nada pertence
Aqui nada mora
Amor prometido
Por fantasmas perseguido
Amarrado nas correntes
No fundo do mar tem o seu leito
Amor sentido como nenhum outro
Amor perdido
Amor... que se foi
E não avisou que não volta
Jaz AMOR ASSASSINADO
Não sabendo que está morto
Vive no coração abandonado
Gravado no seu túmulo escrito está
O nome de quem não o esquece

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novembro 24, 2003

Morte

Procuro a palavra morte
Desenhada no meu tecto

Vejo-a ganhar vida
Quando a noite cai
Desce do seu canto
E dança sobre a minha tristeza
Ao som das lágrimas que choro
Pisa o coração solto de mim
Brinca com a alma que perco
Fruto do meu desejo
Segue-me para onde fujo
Alimento-a com esta dor
Que carrego sem fim
Tento fugir dela
Mas sei que é de mim
Este ser triste
Que se arrasta
Pelas chuvas incessantes
Na lama dos dias
Imundos e vazios
Que seguem ocos
Mortos também eles
Nesta vida sem sentido
Onde apenas a morte é viva

Publicado por lobalpha em 07:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 21, 2003

Mil e uma caras

Vejo as imagens no espelho
Mil caras que me olham

Esperam que caia, desista
Seguem-me com os olhos
Vejo-as nos vidros
Choram as lágrimas do céu
Chamam por mim
Ninguém mais as ouve
Estão ali, minhas
Procuro fugir delas
Encontro-as em pequenas poças
Encontro-as quando procuro
Por mim
Gritam o meu nome
Estão sedentas das minhas lágrimas
Do meu sangue
Vivem nas minhas derrotas
Alimentam-se deste medo
Fazem-me temer o fim
Longo
Demora a chegar
Sinto-me fraquejar
E elas gritam mais
Sinto os seus olhares
Mil caras que se misturam
Procuram-me
Espezinham-me o coração
Riem-se da morte lenta
Inspiram cada fôlego de vida
Perdido
Bebem a doce vitória
Enquanto sozinha me deixo levar
Pelos seus olhos negros
Deitando fora a minha alma
Renego à vida
Desisto da luta
Mil e uma caras no espelho
Sorriem...

Publicado por lobalpha em 11:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 16, 2003

Inferno

Esta noite desci ao inferno
Naveguei no mar de lava

Sufocada pela dor
Mergulhei nas lágrimas
Entreguei-me
Desisti da vida
Nada quis, nada procurei
Uma mão me puxou
Sussurrou-me ao ouvido
"Estou aqui"
Lutou contra a maré
Com forças que eu não tenho
Puxou-me
Salvou-me
No momento de desespero
Perdi a vontade
No momento de carinho
Acordei a vida
Num fio fino aqui estou
Mais um dia de luta
Contra monstros que não vejo
Sinto-os
São donos da vontade
Vivem da minha dor
Alimentam-se das lágrimas
Vampiros
Deles quero fugir
De mim...
Vejo uma estrada escura
Para onde vai, não sei
Sigo por lá
Tenho de ir
Combater
O teu abraço em mim
Suave aperto de vida
Devolve-me a alma
Que de mim se perdeu
Nesta batalha sem fim
Vítima ou heroína
Dá-me a estrela que me guia
Para casa quero voltar

14 de Novembro 2003

Este poema é dedicado a alguém muito especial que me tem acompanhado nos momentos mais delicados da batalha.

Ana Palma

Publicado por lobalpha em 07:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 13, 2003

Procuro Um Sol

Procuro um sol
Uma luz que me irradie

Energia
Sinto falta e estou a cair
Tenho sede de calor
Procuro fugir da noite
Envolveu-me um manto negro
Tento escapar-lhe
Sentir o brilho quente
Iluminando o meu corpo
Ter na alma um sorriso
Gravado
Tatuado
Com aromas doces quero acordar
Ver o mundo em tons de rosa
Sem os espinhos
Que me ferram
Adormecer
Embalada na onda do mar
Desenhar sorrisos no ar
Brincar com o som
Do riso de uma criança
Amar o que amei
Desejar o que desejei
Ser quem já não sou
Procuro um sol
Que me devolva o que perdi

Publicado por lobalpha em 12:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 11, 2003

Viajante Do Vento

Ouço a janela que bate com o vento
Sinto o ar que passa apressado

Segue como quem busca a vida
Não se cansa de correr
E lava-nos a alma na sua passagem
Fecho os olhos e sinto-o em mim
A frescura que me invade
Fico leve como uma pena
E nas suas asas ganho a magia
Deixo-me levar no sonho
Navego pelos mares da imaginação
Viajo por mil estrelas
Comando o vento com um suspiro
Sussurro palavras mágicas ao ouvido
Desço ao meu quarto e acordo
Enrolada no sabor do afago
Despeço-me do meu amigo
Até uma nova viagem

Publicado por lobalpha em 03:10 PM | Comentários (3) | TrackBack

Amo-te

Uma imagem gravada no tempo
Prende-se na memória do amor

Fica para lembrar o que foi
Risos e sorrisos cúmplices
De duas almas companheiras
Coração que fica solitário
Não esquece por quem bateu
Corre o sangue fervente
Sedoso daquela paixão
Corre o pensamento
No calor do momento
Onde andava em nuvens de algodão
Abraçava o vento
Sussurrava promessas
Perdidas em lugares comuns
Sofridas
Angústia que se apodera
Da saudade que resta
Da esperança que morre
Cada dia um ser novo
Nasce negro nos lábios
Que um dia te disseram
Amo-te

Publicado por lobalpha em 10:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 10, 2003

Passos

Com passinhos de bebé inicio esta nova caminhada
Um passo de cada vez, um dia depois do outro
Agora sei caminhar por mim e sigo nesta estrada
Olho para a vida com espanto
Reconheço a beleza em cada canto

Vivi segurando a mão que me apoiou
Não a larguei com medo de cair
Na segurança dei os primeiros passos
Ao cair sentia o afago dos teus braços

Do abismo me fui afastando
Erguendo a cabeça com mais força
Cada passo uma vitória
Saíndo da noite para o dia

Com sorriso de criança olho o mundo
Com brilho no olhar limpo da desgraça
Vejo a magia na mais pequena flor
Sinto a melodia no sussurrar do vento

Ouço a vida chamar por mim
Sorri-me sempre que lhe respondo
"Estou a caminho, não demoro"
Já sei andar sozinha
Mas não esqueço as mãos que me apoiaram

Publicado por lobalpha em 05:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

Escuridão

Entre a escuridão da vida e a escuridão da rua
Movimento-me com gestos breves
Respiro devagar com medo que me falte o ar

Procuro um apoio na cegueira do tacto
Tento encontrar o ponto de abrigo
Fugir para fora desta tempestade cega
Anseio pela calma, o conforto e o calor
Um lar que não conheço, uma mão que desejo
Sofro dores que não sei, mendigo por paixão
Sinto as pernas cansadas de caminhar
Nesta estrada de carvão fervente
Queimo a alma na planta dos pés
Não sinto mais as chagas que me ferem
Vejo os diabos que dançam à minha volta
Esperando que eu caia por terra
Que perca a vontade, deseje o que não quero
Vou na brincadeira de cabra cega
Espero que as minhas mãos te vejam
Reconheço-te no canto mais escuro
Imagem da minha alma perdida no mundo sem ti
E entre as escuridões sigo
Procurando alcançar a tua mão na minha
Sentir o brilho dos teus olhos em mim
...

Publicado por lobalpha em 04:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 03, 2003

Existência

Tento compreender uma existência
A palavra, o ser

Tento por gestos
Por olhares
Pelo movimento que se prende no ar
Respiro...
Inspiro fundo
Prendo o oxigénio em mim
Deito fora
Solto numa rajada de vento
Fecho os olhos
Imagino um mundo
Uma existência...
Imagino
Sonho
Não sei com o quê
Não conheço a sua existência
Procuro conhecer o seu sabor
Doce
Amargo
Azedo...
Salgado
Algo que me provoque arrepios
Só assim saberei que é
Procuro entender
Vejo a sua dança
Sonho com a sua música
Leveza de olhar
Melodia na voz
Magia no toque
Encanto ou não
Sonho os sonhos mais belos
Acordo com o sorriso
Giro no mundo parado
Vou em frente buscando o afago
Procuro o calor
Sinto-o em mim
Rodeando-me com o seu abraço
Aconchegando-me com o seu riso
Amo-o e sei que existe!

Publicado por lobalpha em 10:58 PM | Comentários (0) | TrackBack