janeiro 31, 2004

Estou a meio da madrugada
Na minha cama com olhos semicerrados
O João Pestana puxa por mim
Mas teimosa fico de dedos no teclado
Deixando correr livres as palavras
No improviso descuidado
Que de cuidados já tenho muitos na vida
Por momentos sou rebelde
E um sorriso desenha-se em mim
Imagino-me de lenço ao pescoço
Capacete debaixo do braço
Casaco de cabedal preto
Óculos escuros a matar
E lá vou eu por uma estrada
Sem fim, é claro
Porque é assim que seguem os rebeldes
Sempre por caminhos estranhos
De terra batida
Onde vão parar não sei
Talvez seja para lá que vou esta noite
Para a terra dos rebeldes
Aconchegando a cabeça na almofada
No quente dos cobertores
Deixo a imaginação correr
E sou uma rebelde sem causa
Apenas por ser
É assim que muitos são
Rebeldes ou não
São por serem
Não sabem o quê
Nem porquês
São
Vidas vazias presas a fios soltos
Ocas
Vidas
Vidas
Serão mesmo?

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janeiro 29, 2004

Ecos de Sorrisos

Por vezes sinto o mundo fugir-me
Fico a flutuar num vazio que me preenche
Sinto o eco do meu respirar
E não tenho medo

Vejo uma mão que se estende para mim
Aperto-a e ela puxa-me
Recebe-me um rosto belo
Quase tão belo como o sorriso
Recorda-me que mesmo sem chão
Podemos sempre caminhar
É esse o segredo da felicidade
Por agora...
Amanhã já será outro
Voltas e voltas
Sem se cansar
Faz-nos correr atrás dela
Mesmo sem perceber
O último desejo é ser feliz
E sem perceber
Procuramos o seu segredo
Que nos olha de frente
Basta um sorriso nos lábios
O brilho nos olhos
E é ela que nos escolhe
Não somos nós que a encontramos
Ainda quando o mundo me foge
Vou guardar aquele sorriso
Aquela mão que me segurou
E no vazio vou fazer ouvir o eco do meu sorriso.

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janeiro 24, 2004

Princefrog

Leio quem me lê
Com agrado sigo sua poesia

Sempre palavras de sorrir
É esse o efeito que me deixa
Não sei se é princípe
Ou sapo
Sei que palavras bonitas tem
Mas um ou outro
O prazer está presente
Nas palavras que leio
A quem me lê
Não sei quando escreve o sapo
Nem quando escreve o pricípe
Mas palavras de agrado quero deixar
Por poder receber e ler
As poesias que me agradam
Com esta tentativa de poema
Digo
Obrigada princefrog
Por teus poemas
Teus comentários
Tua presença
Para ti são estas palavras
Sem pretenção de graxa
Apenas sinceridade
E assim o tenho dito.

Publicado por lobalpha em 09:13 PM | Comentários (1) | TrackBack

Rumo Ao Sul

Procuro um canto de paz
Procuro um canto de pássaro
Uma melodia que me embale
Uma onda que acalme

Sinto a alma pulular dentro de mim
Sinto o coração bater forte
A vontade de gritar
A vontade de correr
Não posso ficar parada
Não posso deixar de ir
Quero seguir o meu caminho
Quero encontrar o meu pote
Tesouro que sei onde guardei
Tesouro que me espera do outro lado
Escapo à realidade e lá vou eu
Escapo às amarras e voou com o vento
Abro asas e sigo rumo ao sul
Abro asas e sinto a liberdade
Danço no céu que invento
Danço ao sabor da fantasia
Fantasia que me permito viver
Fantasia só por mim criada
Criada para viver
Criada por sonhar
Sonho com o meu canto de paz
Sonho vendo o pássaro
Voar com minhas asas
Rumo ao sul
Livre

Publicado por lobalpha em 09:05 PM | Comentários (1) | TrackBack

Por Mim

Podes atacar-me com armas
Carregado de munições
Disparar sobre minhas protecções
Procurar ferir meus pontos fracos
Podes até sentir-te grande

Mas entre todas as fraquezas
Encontro a minha força
Em cada sorriso sincero
Ganho a batalha
Não sei que guerra é esta
Não sei como aqui vim parar
Sei que me queres ferir
Mas não me entrego
Tenho força onde não o sabes
Sou mais do que me vês
Sempre dei a outra face
Mas não tenho mais para dar
Esta guerra terminará
Sem que uma palavra eu profira
Quem me procura derrotar
Destruir-se-à por si só
Consumido nessa vontade
Não me tocará
E morrerá
Seco
Frio
Abandonado pelo desprezo
Que apenas lhe reservo

Publicado por lobalpha em 08:57 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 22, 2004

Um Mundo Diferente

Vejo a vida com as mãos
Tenho olhos avariados
Ouço o mundo com o tacto
Meus ouvidos estão tapados

Se algum som sai de mim
Não o sei
Nunca soube
Nem sei o que é o som
Arco-íris... o rei das cores
Não sei o que são cores
As palavras que conheço
São aquelas que as minhas mãos desenham
Ou que nelas outras passeiam
Sinto o vento com o corpo
Gosto do toque que ele dá
Suave no meu cabelo
Não lhe sei a cor
Mas é comprido
Gosto de sentir a areia da praia
Andar descalça
Ver com os pés
O que tu vês com os olhos
Gosto de sentir a água do mar
Bater nos meus joelhos
Sentir as ondas que não posso ouvir
Gosto de dançar
Sinto o ritmo entrar em mim
E danço
E danço
Danço com um sorriso que dizem ser lindo

http://www.lerparaver.com/surdocegos.html

Publicado por lobalpha em 05:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 17, 2004

Canção de Embalar

Sento-me neste cúbiculo
ùnico que posso chamar meu

Enrosco-me como um bebé
Sonho com um colo
Que me afague
Acarinhe
Proteja
Fecho os olhos
E ouço o silêncio
Ainda é dia
Mas estou na zona morta
Aqui me deixo embalar
Numa canção que recordo
Dos tempos de menina
E para lá deixo ir
Todos os sonhos
Todo o meu ser

15 de Janeiro

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Morta

Hoje queria estar morta
Sento-me em frente ao mar
Mas não encontro vida

Sinto o poço cada vez mais fundo
E nele fico caída
O sorriso depressa passa a lágrima
Alegria a tristeza
Do aperto não consigo fugir
Tento nadar para a marge
Não quer afogar nestas águas
Custa respirar
Tenho toneladas no peito
Nem as lágrimas o tornam mais leve
Quero fugir
Desaparecer
Não sei...
Já não sei
Não me quero render
Mas não consigo lutar
Não quero desistir
Mas não sei continuar
Como posso ir mais longe?
Chegar aqui foi uma vitória dolorosa
Continuar vai ser tortura
Não tenho medo da dor
Tenho medo de quem a sente
Num momento de loucura
Toda a luta se pode perder
E outra vida se tornar
Morta

15 Janeiro 2003

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Destemida

Com vôo raso tocou a asa na onda
Meia volta no céu pintado a cinza
E raspa outra asa noutra onda

Vive destemida
Voando na tempestade
Tocando o perigo
De sorriso no bico
Assim queria eu
Tocar com estas asas
As ondas que me afogam
Assim queria eu
Voar destemida
Pela tempestade que em mim carrego

14 Janeiro 2003

Publicado por lobalpha em 10:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

Procura-se

Hoje perdi-me
Não sei se vivo
Morta... talvez

Sinto-me flutuar
Invisível a quem passa
A quem senta a meu lado
Hoje a solidão encontrou-me
Roubou-me o coração
Deixou o vazio
Não consigo chorar
Sufoco com o medo
Hoje sinto-me abandonada
Filha sem mãe
Corpo sem ser
Alma fugida
De um qualquer lugar
Negro
Breu
Noite
Todo o dia foi a noite
Todo o dia me procurei
Não sei onde me encontrar
Luto contra estes monstros
Luto pela vida que perdi
Luto mas já não sei lutar
Meus pais choram por mim
Estão de luto
Enquanto eu luto
Para me encontrar
Quero saber da vida que me roubei

14 de Janeiro 2003

Publicado por lobalpha em 10:56 PM | Comentários (1) | TrackBack

Himalaias e Queques

Musica suave ondula pelo ar
Ouço-a como sussurrada

Entre a multidão
Mil conversas
Entre mil estranhos
Pratos e talheres
Criando outra melodia
Risos e cigarros
Largados
Banais
Assim é mais uma refeição
Neste restaurante chique
De himalaias e queques
Lá vão as tias sonhando
Com mais outro casaco de peles
Para a gala de fim de ano
Não vá ser desta o fim do mundo

Publicado por lobalpha em 10:51 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 15, 2004

Lutar pela vida
Lutar pela vida

Bem que tento
Ganhar esta luta
Contra monstros
Contra passado
Contra presente
Sonho com o futuro
Estava tão perto
O dia de amanhã
Deixou de existir
Está agora escondido
Debaixo de um pesado nevoeiro
Sinto os pés enterrarem-se
Nesta areia movediça
Que ri enquanto me consome
Luto contra mim
Luto contra a vida
Luto contra a morte
Luto por mim
Luto por outros
Mais força é o que me pedem
Mas não me dizem como consegui-la
E eu procuro
E procuro
Procuro
Procuro
Até já não saber o que tanto procuro
Se a força
Se aquela que eu fui
Se o meu futuro
Ou o meu passado

Publicado por lobalpha em 01:18 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 01, 2004

Máscara

Puxo o cabelo para trás
Prendo-o com os ganchos novos

Coloco as lentes
Pinto-me com os tons leves
Realço os olhos
Ponho o baton de brilho
Que desenha o sorriso
Sem precisar mover um musculo
É hora de sair à rua
Levo o meu casaco branco
É de lã e combina
Sorrio a quem passa
Brinco com as palavras
Balanço o corpo seguindo o caminho
Destinado pelas horas
Com o passar delas
Vai-se também a maquilhagem
Chega a hora de voltar a casa
Fecho-me em frente ao espelho
E até a mim quase engano
Abro a torneira...
Deixo a água correr
Ouço a sua liberdade condicionada
De mãos em concha
Enchaguo a cara
Lavo
Esfrego
Os restos da máscara
Que me fez sobreviver outro dia

Publicado por lobalpha em 08:51 PM | Comentários (2) | TrackBack