maio 27, 2004

Procura-se

Atenção:
Procura-se uma vida

Perdeu-se o interesse
Perdeu-se o amor
Perdeu-se tudo o que havia por perder
Perdeu-se a vida!

Procura-se uma vida
Que substitua a que já de nada serve
Morta ou fugida
Ninguém dela sabe

Procura-se a paixão
O fogo preso num sorriso
Procura-se o calor
Aquencendo o corpo sem vida

Procura-se uma vida
Que não traia
Que não roube a felicidade

Procura-se uma vida
Que seja mãe
E não madastra!

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maio 26, 2004

Vendedora de Prazer

Vendeste o corpo
Vezes sem conta

Não te olhas ao espelho
Por medo
Recusas conhecer
Recusas saber quem és
Vendedora de prazer
És o vazio que se espelha em teus olhos
Corpo penetrado
Viajas para longe
Sonhas...
Vendeste o teu corpo, mas não o sonho
Ignorada e desprezada
Até por quem te procura
Vendes o prazer
Mesmo sem saberes como é
Deitaste de olhos fechados
Não é teu aquele corpo usado
Foges de ti em ti
Procuras refúgio na tua alma
Deixa que ela voe alto
Deixa que seja livre de ti!

Publicado por lobalpha em 02:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 25, 2004

Dores e Palavras

Há dores que não se descrevem
Há palavras que não servem
Procuramos sempre o melhor

Não sentir a dor
Encontrar as palavras
Sou incapaz
A dor não a deixo
As palavras não as agarro
Deixo-as fugirem de mim
Como o sangue que vejo escorrer
Desta ferida aberta
Que deixaste cravada no meu coração
Com esses espinhos em forma de sorriso
...
Há dores que não se descrevem
Olha nos meus olhos
E lê todas as palavras que eles te choram
...
Há palavras que não servem
Lê este poema
E aprende a dor que me plantaste!

Publicado por lobalpha em 11:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

Sinto-me poeta

Ser poeta é ser alma
É ser fingidor,

Sonhador
Um eterno sonhador
Perfeccionista na arte da ilusão
Não do iludir, mas de se iludir
Criar amores no ódio
Apaixonar-se pelo escuro
Viver cego, fugindo da luz do dia
Ser poeta é sofrer sempre
Sempre com um sorriso nos lábios
Por ser a dor da alma que alimenta
O prazer de escrever
Tudo o que todos sentem
Ser poeta é amar o medo
Viver dele
Crescer e brincar com a dor
Ignorar os punhais
Espinhos de rosas oferecidas
Viver do sangue que corre
Fora das veias
Jorrado
Largado
Beber das lágrimas caídas
Sempre
Mesmo sem porquês
Ser poeta é chorar
A dor que não sente
Sentindo a mesma ainda maior
Ser poeta é brincar com o fogo
Sentir o coração queimar
Arder lento
Morrer devagar a cada palavra
Não deixando nunca de escrever
O que todos sentem
O que todos temem
Amor, ódio
Paixão ou mágoa
Ser poeta é sentir
Ser poeta é sofrer
Ser poeta é ser humano
Por sofrer, por fingir, por mentir
Por sentir tudo o que sinto
Por escrever o que não sinto
Por amar o que odeio
Por brincar com o fogo que me queima
Por sorrir quando quero chorar
E chorar na solidão das palavras
Sinto-me poeta

Publicado por lobalpha em 10:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 20, 2004

Sangue

Corre o sangue louco pelas veias
Corre quente de paixão
Corre...

O beijo que aquece o coração
O abraço apertado que une dois corpos
O prazer brilhante dos olhos

Corre o sangue louco pelas veias
Corre quente de paixão
Corre...

Olhares que se perdem
Afogam-se no prazer
Dos corpos suados

Corre o sangue louco pelas veias
Corre quente de paixão
Corre...

Numa noite perdida no tempo
Num dia gravado na pedra
Num momento guardado

Corre o sangue louco pelas veias
Corre quente de paixão
Corre...

E bate forte o coração
Na dança de dois seres
Unidos...

Publicado por lobalpha em 12:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 10, 2004

Renegado... Regressado

Percorro a sala com o olhar
Uns estão sós como eu
Outros acompanhados

Pergunto-me como se sentirão?
Pergunto-me como me sinto?
Tenho a cabeça a rebentar
Ouço o coração bater num ritmo alucinante
A cada minuto que passa
A sala vai enchendo
Como se enche o meu peito
Deste medo que não controlo
Já não choro, tenho as lágrimas a correrem-me nas veias
Dos meus olhos apenas sangue poderia chorar
Sangue do coração dilacerado
Apodrecendo pouco a pouco
Morrendo a cada dia que passa
Não conhecendo mais sabor do amor
Envolve-se na explosão do prazer
Ao que reneguei, regressei
E a confusão... a confusão
Simplesmente não sei!

Publicado por lobalpha em 07:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

Soltar-me de mim

Tenho a cabeça a andar à roda
Começo a sentir-me tonta
Os sons fogem devagar
As pernas não me respondem

Olho em volta
Tantos estranhos e nenhum repara em mim
Procuro uma cara amiga
Recebo a velha chapada sem mão
Estou só!
Deixo-me cair
Deixo que o abismo se alimente da dor
Deixo que os monstros regressem
Deixo...
Deixo o meu corpo ali estendido
Num chão estranho por estranhos rodeado
Sigo o caminho que há muito desejava
Sigo livre
Talvez seja este o meu destino
Largar-me
Abandonar-me
Soltar-me de mim...

Publicado por lobalpha em 07:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 07, 2004

Lágrimas e Lágrimas

Vou chorando estas lágrimas
Incansáveis
O corpo está inerte... morto

Ou quase
Pouco é já a vida que resta em mim
Amor...
Não o conheço
Momentos de prazer recebidos e dados
Mas aquilo a que chamam amor
Nem uma gota de suor
Não sei se estou incapaz de amar
Não sei se não me conseguem amar
Uso e sou usada
E logo depois chega a solidão
Esta que me vem apodrecer o coração
Não sei quanto tempo faz
Não sei porque tenho tanto medo
Pergunto-me que terei de errado
Não fui eu feita para amar?
Não fui eu feita para ser amada?
Tenho tanta dor
E não a sei largar
Fiz dela minha companheira
E fiquei-lhe fiel
Choro nas noites solitárias
Imaginando um princípe
Resgatando-me da masmorra
Onde fechei meu coração
Sufoco entre lágrimas silenciosas
Sufoco na dor que escondo
Sufoco...
E aos poucos vou morrendo.

Publicado por lobalpha em 08:36 PM | Comentários (5) | TrackBack

Rocha ou Rosa

Queria ser aquela rocha
Firme sobre todas as outras
Abraçada pelas ondas
Inabalável no seu estado

Queria ter um coração de pedra
Não me perder nos caminhos
Não sentir esta dor
Abdicar do calor

Não sou nenhuma rosa
Mas tenho espinhos no peito
Crescem a cada dia
Sangrando me coração

Não vejo as asas da liberdade
Apenas amarras que ninguém sente
Apertadas sufocando a alma
Sem um grito ser capaz de lançar

Sinto-me cada vez mais pequena
Desaparecendo em mim
Afogo-me em lembranças já esquecidas
De uma infelicidade reacendida

Deixo as lágrimas caírem
Solto o meu grito de dor
Solto o coração
Na esperança da leveza da alma

Secam as lágrimas
Cala-se o coração
Pára o corpo
Permanece a dor...

Publicado por lobalpha em 08:29 PM | Comentários (1) | TrackBack

À Beira do Abismo

Estou sentada à beira do abismo
Sinto-me atraída
Prende-me o medo

Tenho medo de tudo!
Medo da minha vida
Medo do amanhã
Medo de estar tão só como hoje!
Não escolhi caminhar até aqui
Vim de olhos fechados
Sempre com medo de ver
Fingindo nunca sentir
Isto que não sei o que sinto
Quero cair
Mas não tenho quem me agarre
Tenho medo... de tudo
Tenho medo se a solidão ficar
E eu cair?
Não quero cair
Quero que me vejam
Olhem para mim
Ouçam o grito que meus olhos choram
Sintam o meu medo
Agarrem-me
Não me deixem aqui
Sentada neste abismo
Onde a dor aumenta
E a solidão ri-se de mim
Uma mão... a segurar a minha
É o que basta!
Tão pouco para matar a dor
Tão pouco e não o tenho
Tão pouco e...
Estou sentada à beira do abismo!

Publicado por lobalpha em 08:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 05, 2004

O Amor Cedeu Lugar ao Medo

Dois corpos que se encontram na clandestinidade
Unem-se no prazer, no desejo

Dois seres que não se amam
Juntam suas solidões
Em actos levados pelo ardor
O queimar da dor
O preencher do vazio
Dono de dois peitos
Que por momentos se juntam
Carinhos trocados
Abraços apertados
Clandestinos na noite
Clandestinos...
Um corpo que penetra o outro
Duas almas que juntam
Vivendo o momento
Vivendo do momento
Doce enquanto dura
Martírio quando passa
Olhares que se cruzam
O cheiro do medo
A confusão
Seguida de confissões
Sem promessas
Dois corpos que se afastam
Saindo da clandestinidade
Seguem para outro dia
Sem saber se se voltam a encontrar
O amor cedeu lugar ao medo

PS: Obrigada princefrog, com este título abri os olhos para muito!

Publicado por lobalpha em 03:27 AM | Comentários (0) | TrackBack

Esperança

Esperança
A palavra que corre de boca em boca
É a última a morrer
Pelo que dizem

E depois?
Quando morre a esperança,
E depois?
Como é?
Morremos com ela?
Morre o desejo, a vontade, a vida?
Já foram tantas as esperanças que me morreram
Ultrapassaram-me
Morreram desejos
Morreram vontades
Mas fiquei viva
Novos desejos desejei
Novas vontades senti
E num ciclo vicioso tudo se repetiu
Mas a vida nunca morreu com a esperança
Espero sempre outro dia
Espero sempre outro nascer do sol
Outro entardecer
O cair da noite
E uma nova esperança se ergue
E assim passa a vida
Feita de sonhos, ilusões e desilusões
Altos e baixos
Esperanças
Porque as esperanças são as últimas a morrer!

Publicado por lobalpha em 02:45 AM | Comentários (0) | TrackBack

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Estrelas que brilham num manto negro
Bola brilhante
Por vezes quase gigante
Paira nesse manto
Gosto de o olhar
Aqui de baixo
Onde todos somos pequenos
Ninguém é mais que ninguém
Ninguém é mais feliz
Ninguém é mais triste
Não enquanto olho esta noite
Pois mais ninguém existe
Sou apenas eu
Neste mundo do manto furado
É assim que me sinto segura
Aqui, olhando pelas janelas fechadas
Aquele que poderia ser meu cobertor
Velho cobertor...
O cobertor que em criança muitas vezes olhei
Com os olhos de criança
Imaginando voar
Tocando as estrelas
Agora olho-o com este olhar cansado
Pesado
Não está triste
Não está desanimado
Apenas parado
Continuo a imaginar
Como seria voar para lá das estrelas...
Como seria sentar-me naquela
Aquela que parece chamar por mim
Sentar-me lá e olhar para a Terra
Ver a minha casa
Pequenina
Ver esta vida
Ver tudo
E talvez, talvez naquela estrela
Aquela brilhante me desse um pouco do seu brilho
Talvez, talvez os meus olhos voltassem a brilhar
Talvez olhasse o meu mundo
E visse o que aqui
Na minha janela não consigo ver,
Talvez...

Publicado por lobalpha em 02:15 AM | Comentários (0) | TrackBack