junho 16, 2004

Os Meus Animais

Os meus animais

Tenho dois cães,
Um cão e uma cadela
E tenho um gato

A cadela é Sasha
O gato Tocha

O que sobra
É Snoopy
Há 14 anos,
Iuuupyyyyy

Publicado por lobalpha em 01:20 AM | Comentários (1) | TrackBack

Escrever

Gosto de escrever...

Ou melhor, adoro!
Não me importa se gostam
Ou melhor, importo-me
Mas não me incomoda
Que não gostem
Não vou parar de escrever!
Quem não gostar
Que páre de me ler!
Adoro brincar com as palavras
Se é medíocre ou sem graça
A mim não importa
Sou como uma criança
Entretida com suas peças de encaixar
Encaixo palavras
Ordeno-as ou desordeno
Conforme me apetece
Como me dá na "real gana"
E assim sou eu
Escritora, poetisa, tonta
Desesperadamente à procura
Da palavra
Do dom?! Não
Esse vai crescendo,
E está ou não está
Nem sempre o tenho
Mas também não preciso dele
Sou feliz quando faço o que gosto
E o que eu gosto, adoro mesmo
É de ESCREVER!

Publicado por lobalpha em 01:04 AM | Comentários (3) | TrackBack

junho 13, 2004

Procurando O Amanhã

Deito-me depois de mais um dia passado
Procuro o descanso merecido por outro dia de luta
Espero que o tempo passe depressa
E outro amanhã surja de novo no meu dia
Deixo o dia passar esperando sempre pelo amanhã
E quando ele chega, nunca é o amanhã que esperei
Por isso... mais uma vez espero outro dia
Deixo passar a noite, espero que passe depressa
Mas hoje... está a demorar-se
Parece que percebeu o meu desejo
Parece que se diverte com o meu desespero
De outro dia viver
De ver outro dia chegar
E demora-se por cá
Fica a ver-me desesperar
Fica...
Hoje o sono não vem
Tentei adormecer, procurei os sonhos
Nada! Não consigo dormir
Sinto os olhos pesados, mas não adormeço
Vejo as horas passarem, lentas
Procuro o raiar do sol
Mas parece demorado!
Escrevo, no desejo do tempo passar
Mas parece demorar-se também assim
Já não sei que fazer...
Temo que o amanhã não chegue
Um dia...
Tremo
Receio
E temo! Finalmente sinto o medo
Do fim
Do meu fim
Do meu indesejado fim
Porque hoje o que procuro é apenas o
Amanhã.

Publicado por lobalpha em 03:09 AM | Comentários (1) | TrackBack

junho 10, 2004

A Noite

A noite dura
Escura sem lua
Refugiava-me na sua solidão
Escondia-me no seu manto

Era minha companheira de choro
Presa na masmorra
Dentro de mim
Criei várias noites no dia
E várias vezes, chorei
Temia a noite
E ansiava por ela
Chorar escondida
Abraçada pela tristeza
Só nela confiava
Temia a luz
Temia o sol
Fugia do dia
Fugia da vida
Ela consumia-me e eu deixava
Pensava-a minha amiga
Mas era cruel
Mastigava-me
E cuspia-me
Mas sempre para ela eu corria
A noite era minha inimiga
E no seu desprezo me aninhava

A noite calma
Estrelada e aluada
Vem agora no afago
Não me traz mais solidão
Não mais deixo rolar as lágrimas
É agora minha companheira
De sonhos lindos
Seu manto envolve-me
Na doce ternura
De quem abraça um bebé
De volta estou para o dia
Não fujo da luz
Não temo o sol
Já não me consome a noite
Não temo mais
Sigo na estrada de santiago
Beijada por raios de sol
No afago quente da paixão
Que em mim cresceu
Pela noite e pelo dia
Pela vida.

Publicado por lobalpha em 02:46 PM | Comentários (1) | TrackBack

Castelos de Areia

Construo castelos de areia
Em palavras gravadas a ferro e fogo
Crio minhas ilusões
Invento mil desilusões

Noites e dias
Deixo-os passar
Navegando em sonhos
Mil e uma vezes sonhados
Por mim
Por ti
Por eles
Sonhos em infâncias já perdidas
Guardadas no tempo passado
Pretérito perfeito ou imperfeito
É passado
Estamos neste presente
Que amanhã será já passado
E nele crio
Crio palavras em castelos
Crio castelos em areia
Sei que vão cair
Não me iludo
Não me desiludo
Brinco com as palavras
Jogo com o tempo
Não jogo tempo fora
Mas não sei bem a hora
Em que deixo de estar no presente
E vivo no passado
O perfeito
Porque o imperfeito não o quero
Deixo-o ficar no passado
Morro
Volto a viver
Outro dia nasce
Outro dia vivo
Sempre mais um pouco
Embriagada na vontade
De a cada dia
Um novo castelo
Cai este e logo outro se ergue
Assim vai a minha vida
Cai um dia
E logo outro nasce.

Publicado por lobalpha em 02:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 07, 2004

Seca

Chegou o tempo da seca
Secam as flores
Secam os campos sedentos da água

Há muito secaram as lágrimas
Alimentadas por secas dores
Secam também os amores

Chega o vento frio
Seca os olhos húmidos
Seca o coração vazio
Razo
Oco
Seca o sexo
Seca o desejo
Tudo seco fica
Sem paixão perdida num beijo
Secos andamos
Numa vida seca
Iludida
Procuramos uma saída
Desta seca descomunal
Onde caímos
Como um poço sem fim
Arranhamos paredes
Secas
Do poço seco

É já tempo de seca
Todo o dia
Todo o ano
Em seca vivemos
Nesta sede de fugir
Morremos com a seca
De não ter onde cair morto
O corpo seco
Inerte
Rígido
Sem vida, sem dor
Sem seca
Apenas seco... apenas secou!

Publicado por lobalpha em 01:56 PM | Comentários (1) | TrackBack

Que Importa

Ser poeta ou poetisa
Que interessa o sexo,
Se o importante é o ser?
Ou o sentir!

Definições e mais definições
Palavras e mais palavras
O importante é sentir
E "quem sente
É filho de boa gente"
homem ou mulher
Ambos Homem por definição
Poeta ou poetisa
Que importa?
Será que incomoda?
A mim não...
Nem tão pouco o sentir masculino
Porque de feminino nada me falta
Medo, não o tenho
Senti-me poeta
E sinto-o a cada palavra
Quem em resposta te desenho
Poeta, poeta e poeta
É o que sinto
Se sou poetisa... não o sei
Apenas sei o que senti
E mais não digo!

PS: Este poema vai em resposta a uma pessoa que me criticou por ter escrito Sinto-me Poeta. A critica deveu-se ao facto de ter utilizado o substantivo masculino poeta e não o feminino poetisa.

Publicado por lobalpha em 01:36 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 04, 2004

Tenho Medo

Dizes que tenho medo
Pois é verdade
Medo é o meu sentimento
Medo de mim
Medo destes monstros
Dos amigos
Da vida
Tenho medo em mim
Entranhado na pele
Absorve cada bocado de mim
Nunca conheci medo assim


Dizes que tenho medo,
Tenho-o pois
Não medo de morrer
E é desse que tenho medo
Pois o fim deve-se temer
E eu não o temo
Sou uma medricas que desenha palavras
Medricas que do medo constrói
Lagos, Rios, Mares
Palavras sobre palavras
Para o medo afugentar
Para o medo matar
Na saturação da tristeza
Vencendo-a pelo cansaço
Pois já não sei como
Medo
Sinto-o, sim
É ele que me faz sentir viva
Relembra-me que o coração vive em mim
Sempre que se acelera
Ou quando cai uma lágrima de raiva
De tristeza
De nada

Quero aprender a amar de novo
Sem medo de sofrer
Quero aprender a viver novamente
Sem medo do amanhã
Querer eu quero
Vontade, tenho-a
Quero matar esta quem sou hoje
Nascer outra amanhã
Mas...
Tenho medo!

Publicado por lobalpha em 02:34 AM | Comentários (2) | TrackBack

A Minha Noite

Saio para a rua
É já noite feita
Sigo a promessa de não quebrar
Promessa mais prometida não tenho

Respiro o ar escuro
Sinto-o refrescar-me o sangue
Corre agora mais calmo em mim
Sempre fervente, queimando
Está agora leve
Sinto o pulsar lento e ritmado
Como um compasso feito
Está perfeito
Vejo a lua que sobe alta
Lança-se pelo céu
Cheia
Iluminando o pobre
E o desalinhado
Como eu
Tento segui-la
Para lá da noite
Mas começa já a nascer o sol
Um outro dia
Foi-se o meu refúgio
O mundo terei de enfrentar
Fere-me os olhos
A bola de fogo
Eterno amante da lua
Correm atrás um do outro
Quando se juntam
Não é fogo de artificio que se vê
Mas uma noite temporária
Resulta do encontro destes amantes
Proibidos
Talvez por isso prefira a noite
Trás até mim o meu amante
Deixa-me fingir que sou quem era
OU quem serei
Um dia... não sei quando, mas um dia
O amanhã ainda não existe
Apenas hoje e a espera
A espera da noite, do meu canto
Refúgio
Escondida em ti
Não preciso procurar-me
Descanso no doce afago do abraço
A noite é a minha companheira
A lua minha testemunha
Desta vida que não pedi
Da luta que em mim travo
Do desejo que tento desejar
Do sonho que procuro chegar
Lua
Desta noite quero passar
E só assim vou vivendo o dia
Sobrevivendo na noite
Que em mim, presente
Criei minhas estrelas, constelações
Magnificas
Mundo perfeito... quase
Meu, desconhecido para o resto
Desconhecido para ti, sol
Que vens cedo roubar-me o sossego
Mandas a lua para longe
E em mim fecho
Fico
Só, mesmo na multidão
Tenho a minha noite, não a partilho
A minha noite.

Publicado por lobalpha em 02:24 AM | Comentários (0) | TrackBack

Olham-me Com Medo

Olham-me com medo
Esperando a minha queda
Luto dentro de mim
Procuro o meu lugar
Perdida posso estar
Mas não voltarei a cair
Não me deixarei derrotar
A cada olhar triste ganho mais força
São mutantes que me comem por dentro
Não os deixarei vencer
Não cresci para perder
Não sonhei para cair
Nasci para Lutar
Vencer a cada derrota
Olhem-me os olhos tristes
E responderei com o sorriso da vitória

Publicado por lobalpha em 02:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

Queimava-me

Olhei o fogo
Queimava-me
E eu sorri


As chamas iluminavam os olhos
Luziam no corpo indolor
E o sorriso macabro marcava o rosto

Não era minha a dor
Não era meu o corpo
Não era em mim que ardia o fogo
O desespero era meu

Enquanto fitava aquela imagem
Fixa no espelho
Era outra que me olhava de volta
Era outra que para mim sorria
Um riso sarcástico

As duas a rirem
Uma da outra
Uma da dor da outra
Sem saberem que ambas eram eu
Que a dor era a minha
Ou sabiam?
E era por isso que riam
Malvadas

E as chamas iam altas
Consumindo a imagem do outro lado
Comendo o sorriso
Calando o riso estridente
Aumentando a dor
E ao mesmo tempo, dando prazer

Encontrei o prazer na dor
Senti
Era minha a imagem desaparecida
Era meu o riso sarcástico
Senti
Prazer na dor companheira
Sem ela já não sei quem serei

Olhei o fogo
Queimava-me
E eu sorri

Publicado por lobalpha em 02:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

Noite Suprema

Um dia alguém disse ser um ser errante
Hoje sinto que sou esse ser
Errante em mim e em tudo o que toco

Sinto-me incapaz de fazer o bem
Conhecendo-o apenas sei errar na perfeição
Tento fingir, guardo em mim
Mas como a mentira também o erro salta
Atira-se com a força de mil punhais
E vou ao chão!
Tento compreender
Tento perceber
Entender...
Há dias em que a vida é bela de novo
Sinto-me a criança que perdi
Capaz de sorrir
Com vontade inocente de quem é feliz
Vejo o sol brilhar mesmo para lá do crepúsculo
Sinto o seu calor em mim
E de repente...
Estou no gelo
Só em mim, rodeada por quem não me merece
Não assim
Finjo ser quem não sou
Finjo ser quem julgam ver
Finjo...
E no fingimento perco a energia
Perco a vontade
Perco a luta
Perco-me...
E de novo não sei quem sou
De novo sinto a tristeza
A desilusão
De quem procura uma força maior
Superar a dor invisível
Os monstrengos que se apoderam
E vocês não vêm
Escondo-os,
Não quero magoar ninguém, magoando-me a mim
Escondo-me
E já não sei quem sou
Procuro o fio condutor
Procuro o caminho
Procuro e já não sei se quero encontrar
Penso em desistir
Baixar os braços
Perder a batalha e a guerra
Perder tudo
Já que me perdi de mim
Perco-me de tudo
Fecho-me no abismo
Fecho-me e espero pela noite suprema.

Publicado por lobalpha em 02:01 AM | Comentários (0) | TrackBack