outubro 15, 2004

Notas de Poesia

Ouço uma guitarra chorar notas de poesia
Procuro palavras para preencher o espaço
Não as encontro... ou encontro
Mas o espaço não existe
Aquela melodia não precisa de palavras
Enche o ar, a imaginação assim mesmo
Geme de dor, de prazer
Quando a vibração preenche a caixa
Deita para fora a música
Criada com o coração para outro coração
Assim vai criando um aroma no ar
Cheiro intenso de paixão
Grita... sussurra... despe-se...
Não há palavras para esta música
Quando ela chora notas de poesia

Publicado por lobalpha em 11:10 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 08, 2004

Outra Dança

As cortinas esvoaçam pela sala
Entra o vento e refresca-me
Sopra forte... zangado!
As velas balançam
Esforçando-se para ficarem vivas
Tudo o resto está escuro
Dançam as sombras na parede
Desaparecem por momentos
Quando tudo parece ficar imerso no escuro
Mas voltam ainda para um encore
Ouve-se a música que toca lá fora
Começou suave
Gotejando nas telhas
Corre agora feroz, ensurdecedora
As velas ainda queimam
As sombras ainda dançam
Descansa agora o vento
Só um pouco... não se queiram iludir!
Logo, logo ele volta
E já é hora de no escuro
Dois corpos iniciarem outra dança...

Publicado por lobalpha em 09:59 AM | Comentários (0) | TrackBack

Hoje

Hoje não te peço que me abraces
Não peço por teu beijo
Não imploro teu toque, teu sorriso

Hoje não me importo que nada faças
Não apareças, não me chames
Não choro por estares ausente

Hoje não grito teu nome
Não derramo as lágrimas salgadas no vazio
Não deixo sair o desejo

Hoje não entristeço com o passar das horas
Não esmoreço com o dia cinzento
Não me escondo na solidão.

Hoje, desculpa-me meu amor,
Mas não morro mais,
hoje!

Publicado por lobalpha em 09:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 07, 2004

Numa de Jorge Palma

Esta é a minha eleita por agora, pela beleza da letra e a espectacular melodia que a acompanha!
Simplesmente linda!!!!

Minha Senhora da Solidão

Minha senhora da solidão
Minha senhora das dores
Quanto tempo falta para te ver sorrir
Quantas misérias ainda vais exibir
Quanto tempo mais vou ter de te ouvir queixar?

Minha senhora da solidão
Vê como o Sol brilha hoje
Odeio ver-te sempre de luto
Gostava de ver o teu olhar enxuto
De descobrir alguma graça no teu andar

O teu crucifixo não me ilumina
E o teu sacrifício não me pode fazer bem
Não é bom para ninguém
Huuum, não ajudas ninguém...

Minha senhora da solidão
Minha senhora dos prantos
Tens um "ai" encravado na boca
Que dia após dia te sufoca
Precisas de bem mais que uma simples oração

Minha senhora da solidão
Minha senhora das culpas
Tenho que evitar o teu contágio
Não quero mais saber do teu naufrágio
A praia esteve sempre ao alcance da tua mão

O teu crucifixo não me ilumina
O teu sacrifício não me pode fazer bem
Não é bom para ninguém
Huuum, não ajudas ninguém...


Jorge Palma

Publicado por lobalpha em 09:24 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 06, 2004

"Vim ver-te"

Algo me acordou esta madrugada
Senti um múrmurio junto ao ouvido
Uma leve brisa movendo os meus cabelos
Abri os olhos e o quarto estava escuro
Procurei a luz, queria acendê-la
Mas parei... não sei como comecei a ver
A vê-lo
Parado mesmo em frente à cama
Olhava-me com um brilho estranho nos olhos
Estendeu-me uma mão
E vi... uma lágrima rolava na sua face
Uma lágrima azul deixando um rasto brilhate
"Vim ver-te, meu amor"
A voz carregava a dor
Meus olhos encheram-se de água salgada
Não quis ouvir o que ele me dizia
Com aquele olhar de tristeza
"Vim ver-te..."
Puxar o lençol para cima
Cobrir a cabeça
Adormecer e acordar a seu lado
Era o meu desejo naquele momento
Mas nada aconteceu
Não puxei o lençol
Não cobri a cabeça
Nem adormeci para acordar a seu lado
Fiquei petrificada olhando-o
Olhando-me
"Vim ver-te, meu amor"
Chorei
"Vim ver-te, uma última vez"
Chorei e ele partiu
Deixando no ar o seu doce beijo
E a amarga saudade

Publicado por lobalpha em 03:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

Espero-te

Num canto privado da minh'alma
Espero-te
Deixei migalhas de pão pelo caminho
Para não te perderes
Aqui neste canto onde só a ti deixo entrar
Espero-te
Sei que te guiarás pelas instruções
Que marquei no teu coração
Durante o beijo... aquele beijo
Tão curto ontem
Porém, ainda o sinto
Como se teus lábios ainda aqui estivessem
Por esse teu beijo e outros
Espero-te

Publicado por lobalpha em 12:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

"Enquanto houver estrada para andar"

São muitas as vezes em que lutamos contra as lágrimas. Foram muitas as vezes em que lutei contra elas! Escondi quando devia ter mostrado. No lugar de lágrimas desenhava um sorriso, sorriso falso porque por dentro entrava em guerra com a lágrima que forçava a sua saída! Foram muitas as guerras que travei contra as lágrimas, não sabendo que no fim era contra mim que lutava.
Não foram horas ou dias de luta. Nem semanas ou alguns meses… foram anos! Anos seguidos de anos em que escondia sempre que estava triste.
Não sei ao certo quando foi que iniciei a minha queda, talvez tenha sido logo da primeira vez em que forcei o sorriso no lugar das lágrimas. Sei que foi longa.

Aprendi que quando começamos a cair, sentimo-nos sempre como num poço. Temos as paredes para nos agarrarmos, mas nem sempre temos força.
Durante anos lutei, durante anos trepei, julgo até que consegui sair do poço, ou pelo menos tive essa ilusão. Durante anos ignorei, até que um dia tive de desistir! E foi nesse dia que aprendi, desistir não é perder!
Após anos de lágrimas reprimidas, elas revoltaram-se. Começaram a soltar-se. Primeiro fugiam no escuro, no segredo do meu quarto; depois começaram a querer mais de mim, obrigando-me a esconder-me para chorar, tornaram-se viciantes até não conseguir esconder mais. Foram realmente como uma droga, em que não temos vontade nem querer. Tinham uma vida própria que aos poucos destruía a minha. Desisti de lutar contra elas… desisti de lutar sozinha!
Dei início a um processo de auto-conhecimento, perceber as causas era um passo importante na luta… e as causas não eram tão simples como poderiam parecer!
Infelizmente, há mil e uma razões para cairmos mas há igualmente mil e uma razões para levantarmos, só que com os olhos rasos de lágrimas, o coração e alma feridos, torna-se difícil encontrarmos um só motivo para sorrir. Felizmente, consegui encontrar muito mais do que um motivo. Não estive sozinha neste processo, foi tão doloroso para quem me rodeava como para mim… por vezes ainda não consigo perceber ao certo quem sentiu mais dor com tudo isto.
Depois de diagnosticada a depressão, a doença do século XXI – a Epidemia do Silêncio – iniciei o tratamento com medicação e com ajuda psicológica. A psicoterapia durou cerca de três a quatro meses, tendo levado mais alguns dois meses com medicação. Tudo apontava para que tivesse de andar no mínimo um ano sob efeito de calmantes e anti-depressivos, mas depois de seis meses resolvi viver sem eles. Tinha consciência que poderia ter de regressar e que se abusasse na falta de medicação, poderia ter consequências ainda mais graves. Felizmente, tive óptimos substitutos para a medicação. Recebi muito apoio a nível familiar e de amizades, ocupei a mente com uma terapia diferente… algo que sempre tive vontade de fazer, mas tinha falta de iniciativa. Iniciei-me no treino de Taijiquan. Foi e é uma pequena maravilha para mim, pois com a depressão tornei-me uma pessoa muito ansiosa e com o treino aprendi a controlar essa ansiedade.
Seis meses depois de ter largado a medicação, regressei ao trabalho e começo a ter algum controlo da minha vida. Já não tenho medo de errar… não tenho medo de cair de novo, não o quero, mas aquele medo era paralisante! Foi esse medo que me impediu de aproveitar muito nos seis meses que passaram e eu não dei por eles.
Não posso dizer que estou curada… pronta para outra, como se costuma dizer, mas posso afirmar, utilizando as palavras de Jorge Palma (o outro Palma), que “enquanto houver estrada para andar, nós vamos continuar”

Publicado por lobalpha em 09:39 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 05, 2004

Caminho do Prazer

Primeiro foi o bater do coração
As faces rubras à tua visão
Depois a vontade de te sentir
Sempre que em ti se desenhava o sorrir
Mais tarde o desejo de tocar
Deixar meu corpo em teu deslizar
Sentir teu perfume em mim
Como mil flores num jardim
Sentir teu sangue quente e fervente correr
Tonta, embrigada desse prazer
E por fim, com teu beijo
Iniciar o caminho da explosão do desejo!

Publicado por lobalpha em 12:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 04, 2004

Quero ver de novo o teu sorriso
Lento desenrolar desse brilho
Que só tu fazes sair de mim

Essa ternura que vejo
Quando te olho nos olhos
E rogo aos céus por tê-la para mim

Publicado por lobalpha em 03:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Um Para Sempre

Apenas dar-te a mão
Ver o sorriso dos teus olhos
Silenciares minhas lágrimas
Pintares teus beijos em meus lábios
Sentir tonturas nessas carícias
Com o entardecer de outono
Uma brisa fresca puxando meus cabelos
Teu braço passando pelo meu ombro
Juntando nossos corpos
Apenas para me aqueceres
Sabendo que basta tua presença
Para o sangue ferver
E assim, neste cenário de amor
Que mil e uma vezes fantasio no dia
Ficaríamos os dois
Olhando um ao outro
De mão dada
Cabeça caída no teu ombro
Teu respirar comandando o meu
Seríamos assim... um para sempre

Publicado por lobalpha em 02:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 03, 2004

Não Me Lembrei de Ti

Hoje não me lembrei de ti
Mas sei que vieste de noite
Aos meus sonhos
Fizeste-me companhia
Sei que sim
Sei que não faltas
Não recordo o teu beijo
O teu calor
Não recordo do teu sorriso
Esta noite
Se me abraçaste
Não lembro
Sei que foi bom...
É sempre bom, contigo
Não me lembrei de ti
Mas sinto em mim a paz
De todos os outros dias
Em que ao acordar
Ainda sinto o teu perfume no ar

Publicado por lobalpha em 01:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 02, 2004

Olá

Observo-te simples a outros olhares
Majestoso em mim
Quero-te falar
Acompanhado de um sorriso teu
Tomar um café
Conversar
Conhecer-te mais
Quero por ti apaixonar-me
Quero a ti amar
Saber se és mesmo tu
Quem penso que és
Dar-te a mão
Encostar minha cabeça no teu ombro
Fechar os olhos
Saber-te comigo
Quero olhar-te
Olhos nos olhos
Ver meu reflexo neles
Ter teu reflexo nos meus
Quero estar apaixonada
Quero-te apaixonado
Passear
Brincar
Sorrir
E rir
Tudo começando num simples
'Olá!'

Publicado por lobalpha em 02:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

Não Sei o Que Vês

Não sei o que vês ao olhar para mim
Observo teus olhos e vejo-os perdidos
Não sei se guardas minha imagem
Se me imaginas noutro lugar
Contigo
Sei que te olho perdida em pensamentos
De teus beijos nos meus
De me envolver em teus abraços
Receber e dar mil carinhos
Não sei o que vês ao olhar para mim
Mas sinto o coração acelerado
Quando teus olhos pousam nos meus
O sangue ferve
Coro
Sei que te quero de mil e uma formas
Teu corpo contra o meu
Dando lugar a fantasias aqui desenhadas
Não sei o que vês ao olhar para mim
Meu corpo chama por ti
Sorrio
Sei que me embriagas...
Não sei o que vês...

Publicado por lobalpha em 02:47 PM | Comentários (1) | TrackBack