Mais um dia para a história,
Curiosamente, um dia antes do Dia da Restauração da Independência, vem o dia em que o nosso presidente abriu os olhos...
O Dia da Restauração do Juízo!!!!
Aleluia Irmão...
Dá-me um minuto
Olha-me nos olhos
E vê-te,
Teu reflexo iluminado
Aquecido por meu coração
Dá-me um minuto
Segura-me na mão
E sente-te,
Tão querido
Tão sentido
Presente na minha alma
Dá-me um minuto
E nesse minuto
Saberás o que é ser amado
Dá-me um segundo
Se um minuto for demais...
Com tinta de esperança
Vou escrevendo palavras vãs
Desenhando memórias do que ainda não vivi
Sonhando com passados ainda não vindos
Crio histórias de encantar
Para mim e para ti
Desenho flores de algodão
Sorrisos futuros
Amor que virá para não partir
Deixo meus desejos
A giz branco escritos
Em pedaços de nuvens negras
Levadas pelo vento
Para em ti largarem
Todos os desejos por mim desejados
O amor é
uma subida rápida aos céus
e uma descida vertiginosa aos infernos
O amor é
sorrir o sorriso mais inocente
chorar as lágrimas mais sofridas
O amor é
viver uma vida num só dia
morrer num minuto
O amor é
sentir o coração pulular de alegria
sentir o coração sufocar de tristeza
O amor é
felicidade
sofrimento
O amor é
uma verdade consumada
uma mentira que se cria
O amor é
inocente
culpado
O amor é
o que todos procuram
ao que todos estamos condenados
O amor é
uma infinidade de prazer
uma infinidade de destruição
O amor é
o amor tão próprio em si
o ódio tão distante de si
O amor é...
Por vezes é mais fácil estar triste com a vida, inventar razões para lamentar a existência, sofrer por puro prazer, esquecer de como é ser feliz.
É mais fácil porque assim ninguém nos pede nada, não nos exigimos nada. Refugiamo-nos num sentido qualquer de infelicidade, de eterna falência.
Julgo que todos temos dias assim, em que levamos as vinte e quatro horas a pensar que não deveríamos ter saído da cama. Como seria melhor não estar aqui, seja isso onde for, que seria sempre bom estar num outro lado qualquer. Resumimo-nos a um corpo de lamentações. Chega a noite e tudo acalma, menos o sentimento que vai roendo por dentro. Mutilando a vontade, deitamo-nos na esperança de um descanso merecido por algo que não fizemos.
No dia seguinte ao acordar, supostamente já tudo deveria estar melhor. Apenas com uma noite de sono, onde deixámos as lamentações para trás e demos lugar ao mundo dos sonhos, todos os problemas se deveriam ter resolvido. Triste sina de quem acorda para mais um dia sem vontade.
E assim anda muito boa gente que todos os dias cruzam meus caminhos. Vejo-as passarem por mim de cabeça baixa, murmurando preces, suplicando perdões que pouco ou nada fazem por merecer.
Habituam-se a viver em desgraça, torna-se um vício. E transforma-se num vírus, um vírus mortal. Começa por comer a vontade, o desejo. Destrói a pessoa por dentro, começando no espírito até chegar ao corpo. Uma pessoa sem espírito não consegue guiar o corpo. Vazia, não tem força.
O vírus da tristeza apodera-se, e os hospedeiros apenas encolhem os ombros fazendo o que sabem melhor… lamentam. Afinal, que podem eles fazer? Nunca aprenderam a lutar, a ganhar vontade própria, a serem unos de espírito e corpo. Muitos pensam na alma, esquecem a vontade e o corpo. Imploram pelo perdão superior, esquecem de se perdoar – não sabem o que fazer por si. Não procuram, deixando-se morrer de morte lenta.
“Vivemos tempos difíceis” – desde que nasci que vivemos tempos difíceis. São poucos os que largam o muro de lamentações em que tornaram as suas vidas, para procurar uma forma de luta, para encontrar uma maneira de ser mais leve, ou ver a luz se assim quiserem.
Quando as pessoas deixarem de se temer, quando conseguirem olhar-se nos olhos, observar o seu corpo em frente a um espelho, talvez consigam encontrar uma forma de lutarem contra si, contra o vírus que instalaram.
O primeiro passo é gostar de si próprio. Não é tão simples como pode parecer, mas é algo alcançável. Começa por saber aproveitar a não-companhia, o saber estar só. Não temer a solidão do ser. Passamos a vida inteira a procurar companhia que nos esquecemos de como é bom estar cinco minutos a sós. Pensar em tudo ou pensar em nada. Assobiar pelo simples prazer de ouvir, cantarolar qualquer coisa baixinho, observar os dedos das mãos em contra-luz, brincar como se fossemos crianças à descoberta do mundo. Pequenos feitos tão fáceis, mas que colocamos num patamar indesejável.
Estamos doentes, e poucos são os que se apercebem e se curam…
Viajo até um mundo distante
Crio conforme navego
Largo meu corpo para trás
Preso ao dia de trabalho
Vagueio com a mente, livre para imaginar
Crio as minhas aventuras
Vivo na intensidade de um sonho
Respiro a liberdade de viver
Pouso no cimo de uma montanha
De cume branco cristalino
Vejo o mundo que criei
Sinto o ar entrar em mim
Sinto a paz que me rodeia
Deito-me e repouso
Até ser hora de regressar
Esperava um dia ser alguém
Pegar numa mala e seguir o mundo
Sonhava um dia aprender francês
Alemão
(e porque não)
Chinês
Um dia experimentaria andar na montanha russa
Saltar de uma ponte (com uma corda)
Fazer rappel e escalada
Tomar banho numa bela cascata
Todos esses dias viriam
Um dia
Esperava pelos dias
Não os tornando realidade
Por mil e uma razões
Que se repetiam umas às outras
Dia após dia
E quando acordou, disse
"É tarde demais"
Fechou os olhos e morreu
Sem ver os dias com que um dia sonhou.
Desenho uma nuvem azul
Num céu pálido da folha de papel
Acompanho-a de um sol sorridente
Amarelo forte, a brilhar
Junto-lhe uma árvore grande
De folhas verdes vivas
Dançando ao som da leve brisa
Um lago verde pintado
Rodeado por montanhas ainda mais verdes
Com cumes brancos de neve
Um coelho albino brincando nas ervas
Um bando de pássaros rasgando o céu
Dou vida ao meu desenho...
A doce melodia que ouço com os olhos
Uma criança brincando à beira do lago
Atira uma pedra que roça a superfície
Deixando as suas ondas afastarem-se
Um riso de satisfação
Alegria inocente
Peixes saltitões
De sorriso estampado
Amarelos
Vermelhos
Azuis
Às riscas
Com bigodes
Com barbas
De olhos em bico
Ou bem redondos
Assim fica a folha colorida
Com história de encantar
De uma outra vida
Senti uma despedida chegar
Quando te vi caminhar de cabeça caída
Senti o coração querer parar
Para não te ouvir dizer adeus
Senti o sonho morrer
No momento em que teus olhos ergueste
Senti toda a tristeza em tuas lágrimas
Assim que teus olhos pousaram em mim
Senti a força do adeus
Ferir-me bem nas entranhas
Senti minha alma passar para ti
Fugindo da solidão que pairou
Senti teu calor
Uma última vez
Senti o sabor de teu beijo
Afogado em meu desespero
Senti teu corpo afastar-se
Preenchendo o espaço com o vazio
No adeus que ficou
Pairando o ar, senti!