dezembro 27, 2004

História Sem Fim

Ali fiquei,
De olhar perdido não sei em quê
Procurando o que por lá desapareceu
Esperando o regresso, um final
De uma história mal acabada
Pensando em mil pensamentos
Outros mil desejos, desejando
Sedenta de qualquer coisa
Que matasse aquela sede
Aquela fome... aquele querer
Indefinido
Um soco desenhado na boca do estomago
Apertando contra o peito as mãos
Deitei as lágrimas que sufoquei
Mortas caíram em pó na terra seca
Vi o vento levantar,
Guiada pelo desespero, fui em frente
Sem saber o que seguir,
Naquele meio não podia ficar
Morrendo pouco a pouco
Com aquele sol que se pôs sádico
Deixando-me às escuras,
Riu-se o vento beijando as folhas
Levantaram-se as mortas do chão
Dançaram à minha volta
Preparando o meu funeral
Estalavam aos meus ouvidos
Pisei-as (com um secreto prazer
De senti-las esmagadas por mim)
Ali, sem saber onde, acabei por parar
Rindo-me também da desgraça
Assutei a noite que me queria assustar
Fugiram de mim as nuvens,
Destapando uma lua gorda, luzente
Brilhante...
À procura do final perfeito
Daquela história infernal,
Um passo mais perto do abismo
E outro ainda mais, por não ser suficiente
Braços abertos,
(Uma chuva que nasce nos céus e morre em mim)
Morre em mim também a história sem fim.

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dezembro 23, 2004

Morte de Uma Vela

O brilho negro da vela
Ilumina a mesa velha
Pétalas de rosa, jazem
Espalhadas em sua volta
Têm ainda o vermelho vivo
De sangue
Para lá da vela
Esconde-se o segredo
No escuro
Vida a morrer
Morte a viver
Lágrimas de cera
Correm pela vela
Secam nas pétalas quentes
Morre também a chama
Lentamente, afoga-se em si
Torna o brilho mais fraco
Desaparecem as pétalas
Apaga-se o brilho
Morre a vela...
Morre a morte
Por não haver mais vida

Publicado por lobalpha em 03:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

Anjo Sem Asas

Anjo esquecida
A meio caminho do céu
Sentada no abismo
Beija as estrelas
Caiem lágrimas de abandono
Não pode já voar
Secaram-lhe as asas
De tristeza
O olhar,
Não brilha mais.
Encheu-se de vazio
E de vazio vive
Solitária em si
Perdeu-se na estrada
Entre a vida e a morte
Ficou presa
Esquecida,
Num canto do abismo
Confunde-se seu brilho triste
Com o das estrelas
Em breve sorrirás
Pois do pó saíste
E ao pó regressarás
Meu anjo sem asas...

Publicado por lobalpha em 03:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 21, 2004

Shui lung yin

"Like a flower, but not a flower
No one cares when it falls
And lies discarded at the roadside
But though
Unmoved, I think about
The tangle of wounded tendrils
Lovely eyes full of sleep
About to open,yet
Still in dreams, following the wind ten thousand miles
In search of love
Startled, time and again, by the oriole's cry

Do not pity the flower that flies off
Grieve for the western garden
Its fallen red already beyond mending --
Now, after morning rain
What's left?
A pond full of broken duckweed
If the three parts of spring
Two turn to dust
One to flowing water
Look --
These are not catkins
But drop after drop of parted lover's tears "

Su Shi [Su DongPo]

Publicado por lobalpha em 12:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

On Climbing You-Chou Terrace

"Ahead I cannot see the ancient faces,

Behind I cannot see the coming sages.

I brood upon the endlessness of Nature,

Lonely and sick at heart, with falling tears."

Chen Ziang

Publicado por lobalpha em 12:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 15, 2004

Não há pena

Não me julgues triste, ó Dom Quixote,
Pois triste não é meu estado
Feliz estou por saber ainda sentir
Não sabe o meu Dom desta sua Dulcineia,
Mas sei eu bem dele,
Não sintas tristeza nas palavras de sonhos incompletos
Não leias tristeza em quem consegue sentir
Depois de adormecida,
Ergue-se agora a besta
Tomando conta de emoções
Soprando o fogo pelas ventas,
Não tenhas pena dela
Pois eu também não a tenho!

;)


Publicado por lobalpha em 11:10 PM | Comentários (2) | TrackBack

dezembro 14, 2004

Quando sonho contigo

Quando sonhei contigo, senti o sonho vivo
Não doeu, não sofri... apenas sonhei
Correu livre a vontade, de dizer
De sentir
De viver de novo o passado
Neste presente inexistente
No qual já não somos,
Permanecemos
Insistindo numa existência sem sentido
Para a qual o fim já aconteceu
E eu recuso a reconhecê-lo
Quando sonho contigo, sinto o sonho vivo
Sinto ainda vivo em mim
Não dói, não sofro... apenas sonho
Corre livre a vontade, de dizer
De sentir
De viver de novo o passado
Neste presente que nego
A tua ausência,
Permaneço
Insistindo num sentimento acabado
Para o qual espero o recomeço
E recuso esquecer-te...
Quando sonhar contigo, sentirei o sonho vivo
Não irá doer, não irei sofrer... apenas sonharei
Correrá live a vontade, de dizer
De sentir
De viver de novo o passado
Num presente que irei negar
Ainda a tua ausência,
Ficarei
Insistindo na existência de um sentimento por terminar
Para o qual viverei
Sempre na esperança de outro sonho alimentar

Publicado por lobalpha em 11:02 AM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 10, 2004

Pensar Em Ti

Pensar em ti magoa-me
Pensar que sinto-te sempre
Pensar que possas já não me sentir
Magoa-me, pensar em ti
Faz ferida na alma
A tua ausência
A falta do teu riso
Teu toque suave
Que sinto ainda hoje
Teu brilho no olhar
(Ou talvez o meu reflectido em ti)
Pensar em tudo isso magoa-me
Mais ainda me magoa
A forma como não te esqueço
E dia após dia te relembro
Magoa-me o calor que sinto no peito
O sorriso que não consigo esconder
Todo este amor que não acaba

Publicado por lobalpha em 12:10 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 09, 2004

Presa Em Ti

Percorro as memórias
De um passado ainda fresco
Sinto o calor
Dos teus lábios nos meus
Perfeita harmonia
Sinto o coração pulular
É a alegria de te relembrar
Sorriso lindo
Meu gatinho
Apertar-te no doce abraço
De meus braços em teu corpo
Sentir teu perfume
Embriagar-me
Teu riso...
Teu brilho
Como podes ter-me ainda assim
Tão presa em ti?!

Publicado por lobalpha em 11:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

Como posso eu dizer-te

Como posso eu dizer-te
Tudo aquilo que já te disse no passado
Pensava estar esquecido
Enterrado
Enganada estava

Como posso eu dizer-te
Que tudo o que senti ainda sinto
Pensava não te ter mais em mim
Apagado
Enganada andava

Como posso eu dizer-te
Que não te quero perder não te tendo
Pensava ter-te assim
Guardado
Enganada estive

Como posso eu dizer-te
Tudo o que sinto sem compreender
Tentei esquecer
Amado
Enganada andei

Como posso eu dizer-te
Tudo o que ontem senti
E hoje quero mais
Amada em ti
Acordada

Publicado por lobalpha em 11:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 05, 2004

Mergulho triunfal

Observo o quadro original
Que se desenha na frente do carro
Raios de sol furam as nuvens
Que repousam por cima do oceano
Água que reflecte o brilho
Deixando um rasto laranja
Que se confunde com o céu
Já queimado no horizonte
Lá fora está frio
Não penso nas tristezas d'ontem
Não imagino as alegrias d'amanhã
Respiro
Deixo o ar entrar suavemente em mim
Limpar-me por dentro
Livrar-se de qualquer réstia de tristeza
Deixo a música embalar-me
Aconchego-me em mim
E vejo o quadro mudar
Segundo a segundo
Esperando pelo mergulho triunfal
Do sol no oceano
Apagando as suas chamas por hoje
Pintando o céu de cores fantásticas
Antes de adormecer por completo

Publicado por lobalpha em 01:16 PM | Comentários (2) | TrackBack