Sensual...
A ideia do desafio
Uma mente misteriosa
Enredada em jogos do querer e do ter
Olhos sedutores, escondidos
Mergulhados numa cara redonda
Lábios de cetim vermelho
Dando cor à alvez
Brancura que disfarça o desejo
Angelical, o ar
Palpitante o sangue vivo que lhe corre
Rubror alucinante que lhe preenche as faces
No sentir a carne desperta
O calor húmido aquecendo-a
Coração que se diz presente
Lúxuria em si
Prazer
Toque sedutor, toque
Toque...
Paixão num minuto
Olhos gemendo,
Lábios apertados de cetim molhado
Confundem-se com o encarnado da cara
Corpo quente
Delírio
Explosão...
Um sopro solto
Um gemido fugido da prisão
O extase na palavra orgasmo
O fim...
Vai passando um barco lá longe
Num horizonte desconhecido
Demasiado afastado daqui
E de outro lugar
Recheado de mistérios
Carregado de histórias de contar
E de vidas vividas
Segue o barco de vela asteada
Vai ao sabor do vento e não da maré
Contra ondas baixas que gritam à sua passagem
Rasga aquele mar onde navega
Empurrado pelo sopro
De um deus qualquer
Seguem aqueles marinheiros
Buscando outros tesouros e novas glórias
Seguem para outros portos
Naquele barco que passa longe
Vão ainda para mais longe
E agora segue-se o adeus,
Um beijo na face dele
Outro na dela
As mãos que se largam
Os corpos que se afastam
No olhar
"Prazer em conhecer-te"
"Estás comigo para sempre"
Brilho misto de alegria e tristeza
Um sabor agridoce que se instala
Um incómodo silêncio que paira
Não saber já como estar
Dois estranhos de novo
Sem assunto nenhum
Sem palavra a acrescentar
E sempre muito que ficou
Por dizer
Por viver
Memórias que se vão apagando
Substituídas por desejos do que poderia ter sido
Fica este adeus
Este beijo solto
O carinho
Fica o momento em primeiro se viram
Fica o momento em que por último se despediram
Cinzento.
Cinzento é o dia em que não te vejo.
Cinzento é o dia em que não te desejo.
Morre devagar o beijo
Que nasceu nos teus lábios
E nos meus adormeceu.
Cinza.
Cinza que se espalha com o vento.
Cinza que fica do lume apagado.
Uma paixão, um amor
Que o tempo esfriou
Levado para outra.
Gris.
Gris é a hora em que te despedes.
Gris é a melodia destas lágrimas.
Despidindo lentamente
Uma alma que conhece
A hora da morte.
Pardo.
Pardo fica a lembrança.
Pardo permanece o que foi.
Morre de morte rápida
O beijo, que em teus lábios nasceu
E nos meus... encontrou o fim.
Senti as mãos percorrerem
Suaves
Suave o toque no meu corpo
Seguraram-me, então, os ombros
Prenderam-se neles, libertando de novo
Escorregavam pelas costas
Deixando um rasto de calor
Sentia a pressão em mim
Gemia de um prazer louco
Do toque,
O aroma do incenso inundando-me
Os sentidos
E as mãos... torturando-me na sua graça
Subindo e descendo o caminho das minhas costas
Segurando-me bem firme entre as pernas
Deixando-me cada vez mais embriagada
Nesta massagem louca
Numa qualquer podridão
Encontro um ponto de luz
Tropeço no meio da escuridão
Procurando o que tanto seduz
Se para lá do espelho, vejo
Cega fico na ilusão
De esperar que desejes o meu desejo
De ser meu o teu coração
O tao que pode ser descrito
não é o tao eterno.
O nome que pode ser falado
Não é o Nome eterno.
(The tao that can be described
is not the eternal Tao.
The name that can be spoken
is not the eternal Name. )
A sem-nome é a fronteira do Céu e da Terra.
A que tem nome é a mãe da criação
(The nameless is the boundary of Heaven and Earth.
The named is the mother of creation. )
Livre do desejo, podes ver o mistério escondido.
Ao desejar, apenas podes ver a realidade visível.
(Freed from desire, you can see the hidden mystery.
By having desire, you can only see what is visibly real. )
Ainda assim, mistério e realidade
emergem da mesma fonte.
Esta fonte é chamada de escuridão.
(Yet mystery and reality
emerge from the same source.
This source is called darkness. )
Escuridão nasce da escuridão.
O início de todo o entendimento
(Darkness born from darkness.
The beginning of all understanding. )
Se não existe passado
Se ele está presente
Apenas pelo pensamento
Que presente será esse
Tão vão e distante que se apresenta
Tão inantingível
Disperso
Situado apenas na mente
Nas ondas da memória
Distorcida, por vezes
Esquecida
De sofrimento ou alegria
Se não existe passado
Que tempo foi aquele
Que por mim passou
Deixando marcas que levarei
Presente ou futuro
Mas que ficaram
Largados os sentimentos
Num passado qualquer
Passado que dizes não existir
Mas todos o temos
Passado de amor perdido
Passado de tristezas gravadas
Passado de alegrias vividas
Passado simplesmente passado,
Calou-se a noite,
Levando consigo os segredos murmurados
Ditos e pensados
Num último fôlego soltos
Largando o desejo preso
Libertando as amarras da solidão
Na noite fria, despiu-se a alma
Segredaram-se os medos
Beijaram-se as faces negras da tristeza
Lamberam-se lágrimas solitárias
Afogadas nos desejos incertos
Protegidas no escuro
Viajaram para longe dos donos
Abandonando corpos
Abandonando razões
Fugiram com a noite
Ao sabor da aurora
Que iluminou novas vidas
Com o toque quente de um raio de sol
Enquanto o dia passa
Sinto o nó crescer
Aperta-me
Quase não consigo respirar
Percorro aquelas horas
De confidências trocadas
Naquela que foi a revelação
Escondida durante anos
Guardada em segredo
À vista de todos...
Maior cego é o que não quer ver
Assim fomos nós, dois cegos
Recusando-se ver o que todos liam
Relembro todos os gestos
Os teus olhos
Os teus carinhos
Pergunto-me se pensas também
Se te propões a tentar
Arriscar...
Sei que o teu medo é maior
Não te condeno, não o posso fazer
Mas não me peças para ficar
Não peças...
Deixa-me partir com o sorriso
Aquele que consegui colher de ti
Deixa-me seguir enquanto consigo
Suportar todo este peso que se abate
Sobre mim...
Peso de te sentir fugir
Sentir o frio percorrer meu corpo
Enquanto luto contra as lágrimas
Queria ensinar-te tudo o que esqueceste
Queria ensinar-te tudo o que me ensinaste
Confia... ama... como eu confiei
Como eu amo...
Não te disse... é a única coisa que me arrependo
Se um dia to disser, talvez seja tarde demais
Porque hoje sei que foi tarde.
Queria escrever nestas linhas
Um outro final
Não o posso fazer se não me deixas
Sinto todo o carinho que me sentes
Sinto todo o desejo que me desejas
Mas sinto insuficiente,
Mesmo que me digas que sou mais,
Mesmo sabendo que o sou,
Sei sempre que não é o que quero
Vem assim a separação
Não a queres, eu também não
A teu lado é o que mais quero
Mas não assim... dói
E apenas desejo que acabe esta dor
Já a conheço
Já chamei o teu nome muitas vezes
No vazio da noite, onde me perdi
Hoje estavas lá... para eu me despedir
Queria escrever outro final
Talvez nenhum, ir escrevendo a nossa história
Aquela que sei nunca retornar
Sei que me queres feliz,
Não sabes que te quero o mesmo???
A teu lado seria feliz,
Mas que felicidade teria
Se não a visse no teu rosto?
Que felicidade teria, se não te posso beijar?
Se não te posso ter como preciso
Prefiro não te ter...
Morre assim, novamente,
Fantasma da Ópera
Uma noite em claro
De conversa jogada fora
Como quem aguarda o seu momento
Ali esperei, silenciosa
Ouvindo-te falar, sorri
Ao ver-te sorrir, soltei o riso
Ao sentir-te tão perto de mim
Aqueceu meu coração
Sentir ainda agora o teu cheiro
Que nunca me esqueci
Que me persegue... que eu adoro
Uma noite em que não dormimos
Juntos estivemos, embarcados um no outro
Deixando rolar as palavras
Presas por fios de memórias
Essas que partilhaste comigo
Fazendo-me sentir como parte do teu mundo
Mesmo sabendo não existir lugar nele para mim
Passei a noite ouvindo-te falar
Esperando o meu momento
Para te dizer tudo o que me prende
Há tanto tempo...
Tens razão! já passou muito tempo
Mas é resistente o sentimento
Plantaste-o e alimentaste-o
Para depois o esqueceres em mim
Aqui ficou, por vezes adormecido
Mas nunca morreu
(como muito eu o desejei!!)
Uma noite em claro... outra
Tu e eu, de novo cúmplices em nossos segredos
Teu olhar perdido no escuro
Rompido pela aurora que se fez anunciar
De novo fechas teu coração
Não mo entregas... não queres o meu
Envolves-me com o teu carinho
Fazendo-me sentir de novo aquela menina que fui
Em trocas de carícias, revelas os teus medos
Como te compreendo... são meus também esses
Entre sussurros, despimos os sentimentos
No lugar do amor, trocamos beijos de ternura
Terminamos a manhã com um abraço sofrido
Uma despedida anunciada, um outro fim que chega
Recusas aceitá-lo, sorri para ti
Uma última festa em tua face
Um beijo em teus lábios
Um adeus que não escutas
E lágrimas, lágrimas que não deixei cair
Ficas para sempre meu,
Fantasma da Ópera