fevereiro 28, 2005

Laços de Seda


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Enrola a presa
Consome o ser
Negro à volta
Vivo
Sangue aberto à noite
Desejo assassinado à nascença
Vontade crescente de queimar
Perde no ar o poder
Vinga a dor
Que não sentiu
Sufoca
Lentamente
Morre
Gritando pela vida
Outra que levou
Termina a luta
Jorra o vermelho
Em laços de seda

Publicado por lobalpha em 12:15 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 27, 2005

Rios Salgados

Vejo dois rios correrem
Lado a lado, não se tocando
Nascidos de duas fontes
Lado a lado...
Da mesma dor
Da mesma alegria
Do mesmo sentimento
Correm os rios selvagens
Morrendo numa foz qualquer
Lado a lado
Correm rios salgados
Ondas de tristeza
Ondas de felicidade
Selvagens em si mesmos
Vão dois rios afogando os outros

Publicado por lobalpha em 01:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

Uma visão solar...


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Publicado por lobalpha em 01:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 24, 2005

Dinheiro

Pedes dinheiro ao teu pai
Ele não tem
Não pedes à tua mãe
Já não a tens
Procuras no chão
Por notas caídas
Encontras um tostão
Depois de um dia varrido
Sentas-te derrotado
Sem trabalho, sem vontade
Pedes a quem passa
Não te olham,
Julgam-te vagabundo
Pois vagabundo te tornaste
A quem pedir?
Ninguém te dá um tusto
Tens de trabalhar
O trabalho já nada vale
Trabalhas de graça
Por meia dúzia de trocados
Apanha-los do chão
Atirados de uma altura qualquer
Contas para comer
Contas para dormir
Voltas ao teu pai
Que sem dinheiro morreu

Publicado por lobalpha em 05:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 22, 2005

E vai o corridinho (ou tentativa)

De olhos abertos, braços no ar
Cabeça desperta
Reza a deus (o teu e dos outros)
Se não sabes rezar
Pede que rezem por ti

Damos três voltas para lá
E outras três para cá
Bate o pé, finca a unha
Arrepia a espinha
Troca a tinta
Damos três voltas para lá
E outras três para cá

Soma este com aquele
Junta o outro ao que se foi
Entre perdidos e achados
Há achados que foram perdidos
Um roubou o outro e mais (não) roubará
Cu ao léu para a lua virado
Foi com a sorte abençoado
Diabo lhe tire o que o povo lhe deu
Povo povinho, povoado
Parvos palermas
Abençoados
Com dom da tristeza
Amargura
E secura
Rendido à loucura
Saiu à rua

Damos três voltas para lá
E outras três para cá
Bate o pé, finca a unha
Arrepia a espinha
Troca a tinta
Damos três voltas para lá
E outras três para cá

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fevereiro 21, 2005

Sobe sobe CDU

Sorri ao ver o velho sorrir
Sorri ao ver o velho brilhar
Mostrar o seu valor
Mostrar o sangue que lhe corre nas veias
Deixa-o correr vivo como tu
Acusado de gasto
Mostra tua cara lavada
Teu sorriso belo
Teu toque
Aquele que preenche a vontade
De quem cerra o punho e o ergue
De quem sabe a luta que vem dia-a-dia
Sinto agora teu sangue
Tua alegria nova
Percorre-me as veias
Tua alegria velha
Enche-me os pulmões
E a plena força grito
"Sobe sobe CDU"


Publicado por lobalpha em 12:45 AM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 19, 2005

Queres Dançar Comigo? II

Teus e meus
Soam ainda os beijos
Algures num tempo que já não é
Soam a melodia doce
De um abraço sofredor
Sobrevivendo às badaladas
Prenúncios de muitos fins
Criando músicas várias
Baladas e valsas
Corpo com corpo
Onde os meus olhos viam por ti
Onde teus braços serviam para mim
Danças leves de quem voa
Abre-os agora para mim
De novo, naquele murmúrio
Que me foi segredado
...
Queres dançar comigo?

Publicado por lobalpha em 10:33 PM | Comentários (0)

Queres Dançar Comigo? I

Sinto uma música tocar o ar
Uns braços que se abrem
Para me abraçar
Ouço o vento gritar
Palavras de ontem
Que ecoam pela manhã
Afogado o sol
Submersa a lua
Brilham olhos no escuro
Com vida própria iluminam
Caminhos perdidos
De esperanças vãs
Momentos
Dias
Algo que seja qualquer coisa
Moram em pensamentos
De quem vibra por mim
De sonhos meus
Toca alta a música as nuvens da terra
Sopra já calmo o vento
Bailando em remoinhos
Brincando com beijos

Publicado por lobalpha em 10:26 PM | Comentários (0)

Amo-te

Amo-te, mas não te quero
Amo-te, mas desprezo-te
Tudo em ti me arrepia
Pele de galinha, pêlos em pé
Nó no estômago,
Vontade de gritar
Amo-te, mas desaparece
Amo-te, mas odeio-te
Esse teu sorriso de mel
Que derrete o bloco de gelo
Pedra dura no peito
Que por ti deixei crescer
Amo-te, mas desejo que te vás
Amo-te, mas...
Só quero a liberdade de não te amar
É castigo que pago
Por crime não conhecido
Amar quem não sabe amar
Odeio-te por tanto te amar

Publicado por lobalpha em 10:18 PM | Comentários (0)

fevereiro 17, 2005

Vozes Não Caladas

Ouço vozes ruidosas criando ecos em mim
Sinto que me apertam o cérebro
Estrangulam a inteligência
Sons estridentes de palavras ocas
Reinventam o grito com estrilho
E sem sentido, sem porquê
Assaltam-me a mente
Tentam queimar-me as ideias
Sufocando o pouco que tenho de liberdade
Ouço aquelas vozes,
Ruídos soltos de ataque
Monstros expelidos de seres vazios
Que em vazio nos querem transformar
Não te deixes ir gentilmente
Sacode a cabeça violentamente
Ergue-a bem alto e de punho cerrado
Grita as tuas palavras cheias
Os teus sentidos
Palavras de guerra à estupidez
Gritos transformados em melodias
Que se juntam em uníssono
A tantas outras vozes não caladas


Publicado por lobalpha em 06:11 PM | Comentários (1)

fevereiro 15, 2005

"Fazedora" de Milagres

Páro numa máquina
Daquelas "fazedoras" de milagres
Penso num desejo
Daqueles desejados a vida inteira
Ponho uma moeda
Puxo a alavanca
Fecho os olhos com força
"Rrrrrrrrr"
"Rrrrrrrrrrrr"
"Rrr... rrr... rrr..."
Rodam os desejos antes desejados
Rodam e rodopiam desejos por vir
De olhos fechados, espreito
Um primeiro desejo
Seguido de outro igual
Ao terceiro estará realizado
Aguardo...
"Rrrr... r r... rrr... r..."
Continuo a aguardar
De dedos cruzados, quase misturados
Dois em um, de tanto desejar o desejo
Olho para a máquina
"Rrrr... rrrrrr... rrrrr"
Está a parar...
Pára a meio do último desejo
Entre dois mal definidos
Perde-se o meu desejo
Perde-se a minha moeda
Kabum...
Perde-se a máquina "fazedora" de milagres

Publicado por lobalpha em 02:09 PM | Comentários (0)

fevereiro 13, 2005

*Esconde esconde*

*Sarapintado de estrelas *
*Revela-se o céu*
*Manto escuro roto*
*Carregado de pontos*
*Cada um mais pequeno*
*Brilham para mim*
*Chamando à vez*
*Ora uma, ora outra*
*Pequenas crianças anjo*
*Sorriem*
*Brincando às escondidas*
*Espreita uma*
*Logo a seguir a outra*
*E tantas mais*
*E do escuro da noite*
*Nada sobra na doce brincadeira*

Publicado por lobalpha em 08:56 PM | Comentários (0)

Cemitério de corações

Bate forte um coração fraco
Deitado por terra numa vala qualquer
Partilha a cova com outros tantos
Quebrados, avariados, fora de prazo
Tudo vale neste cemitério
Corações pobres
Vagabundos
Abandonados
Tudo mora ali naquele fim do mundo
Apodrecendo debaixo de um sol
Em nada misericordioso
Queima as veias sangrentas
Queima pontas soltas
E já ressequidos
Vão murchando um a um
Os corações ali plantados
Nenhuma árvore nascerá
Nenhuma nova esperança crescerá
Ali... apenas morrem os que resistem
Ali, naquele cemitério esquecido
Ali... jazem

Publicado por lobalpha em 08:48 PM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2005

Adeus para sempre

Dizem que a vida é feita de escolhas, que para tudo existe duas opções. Perante os caminhos podemos escolher um ou outro, certo ou errado, ambos certos ou ambos errados. Mas pergunto-me, que escolha teremos perante a morte?

Uma criança no ventre materno, pronta para nascer.
Uma mãe à espera de conhecer aquele ser que é seu.
Um pai desejoso de sentir a sua benção.
Uma família ansiosa pelo rebento...
Sonhos destruídos em menos de nada, sem aviso... tudo se esfuma no ar e a esperança morre com ela! A dor invade a alegria, o vazio preenche o ventre da mãe, as lágrimas cobrem os rostos, apagam o brilho...
O manto negro desce sobre a família.
E vem o parto. Parto... palavra alegre, significado de vida, não pode ser utilizado aqui, não... parto de uma bebé morta, enforcada no ventre da mãe. Tivesse ela nascido um dia antes e não teria corda para se matar, suicídio involuntário... e agora? Agora o registo de um estranho. Tem de ter um nome, vai morta mas com nome. A hora de nascimento é depois da hora da morte... que sentido é este?! É como ver as horas passarem ao contrário. A morte bateu a vida... é normal, a morte acaba sempre por ganhar à vida, vence sempre, mas... a morte venceu a vida antes desta começar! Foi injusta, foi má, fez batota. Roubou uma vida que não se tinha iniciado, não deixou olhar nos olhos, não deixou sentir o seu cheiro, ouvir a respiração, pegar nas suas mãos de bebé, proteger de todos os perigos... Roubou-a do ventre da mãe. Ventre cheio, num instante com vida e de repente carregado de morte, negro.
Na hora do nascimento ouço o choro, não da vida mas do vazio. Enche a sala habituada já a tantos outros choros, a tantos outros bebés que enviam o seu grito para a vida e este... este que nasce já sem nada, vem mudo, cego e surdo, vazio mas alvo de maior amor do que muitos que são despejados neste mundo.
É a raiva que se apodera dos corações, a incapacidade para compreender como pode haver justiça... incompreensão, indignação, tristeza... uma profunda tristeza que nos acompanha com as horas, com os dias. A criança que será recordada sem um rosto, um nome apenas lançado para o ar marca a sua presença nos registos, um BI nunca criado, a primeira vacina que não é necessária, o primeiro gracejo que não virá, os primeiros sorrisos que não dará, os primeiros passos que ninguém verá... apenas um nome para marcar a sua passagem nos 9 meses do seu pequeno mundo criado no ventre da mãe.
E o funeral... o funeral de um estranho. O ser que sem nascer deu tantos sorrisos, com uma magia deu alegria antes de ser e que agora deixa saudade sem nada para recordar. Não existem os doces anos, as palminhas de brincadeira, o puxar dos cabelos... não lhe deu a mãe a primeira mamada! Não houve a primeira noite sem deixar os pais dormir...
Todos os sonhos e preocupações, deitadas a baixo como um castelo de cartas. O sopro da morte e desmoronar de uma vida. O caixão que baixa à terra com um pequeno corpo que nunca soltou um suspiro... nem sequer o suspiro final! Nunca chorou, nunca gritou... e ali vai ficar, do ventre para o caixão.
... adeus para sempre, com saudades do que não viveste!

Publicado por lobalpha em 06:12 PM | Comentários (4)

fevereiro 07, 2005

Porcos ao Poder

Como o outro, também eu agora tenho um sonho
Daqueles que provocam suores frios
Inundam a roupa e nos fazem tremer
Ver o que não existe, talvez até prever...
O pesadelo que a realidade se torna
Sonho, suo ao relembrar
Com Porcos no Poder
A continuação de outro capítulo
Uma verdadeira história interminável
Ciclos demasiado repetitivos,
Demasiado curtos
Vidas que se vão gastando
Afogando no lamaçal
Que estes porcos vão criando
Também eu tenho um pesadelo
Em que os porcos continuam no poder
...
Muda apenas o nome da pocilga

Publicado por lobalpha em 09:38 PM | Comentários (0)

Anjos na Lama

Caídos por terra estão os anjos
Mensageiros de um qualquer apocalipse
De um final de outros tempos
Caídos ficam, esquecidos
Desprezados por quem os pisa
Ignorando as asas partidas
Ignorando as lágrimas de cristal
Pobres anjos sujos
Fizeram lama com o choro
Nadam agora na imundice
Alimentando porcos sedentos
Ávidos de uma miséria
Esquecendo o fim que se aproxima
Comem o que podem
Matam como podem
Grunham alto, como se o mundo fosse deles
Pisando e repisando os pobres anjos
Que de divinos já nada têm

Publicado por lobalpha em 06:25 PM | Comentários (0)

fevereiro 05, 2005

Saudade, saudade

Saudades do que foi
Saudades do que recordas
O quê? Não sei
Porquê? Não sei
O que foi, o que era?
Não sei
Para quê sentir saudades?
Apaga as fotos, se as houverem
Rasga as memórias
Queima as recordações
Revolta-te contra essas saudades
Para quê senti-las,
Se não as queres matar?
Para quê recordar,
Se a falta está presente?
Por fim,
Quem és tu
Que carregas saudades
De quem eu fui?

Publicado por lobalpha em 01:24 PM | Comentários (0)

fevereiro 02, 2005

Mão e cintura

Uma mão na cintura
Segurando firme
Corpo contra corpo
Sentindo murmúrios
Sopros de coração
Para coração
Alma para alma
Respiração no pescoço
Arrepio na espinha
Termina naquela mão
A prender a outra cintura

Publicado por lobalpha em 05:37 PM | Comentários (1)