março 31, 2005

Árvore da Vida

Em cada árvore desenha-se uma vida
Nos seus ramos ficam os meus caminhos
Aqueles que errei, voltei atrás
Os que ainda não passei, esperam-me
Umas vezes a árvore está verde
Outras é o castanho que a cobre
Com vento, chuva ou sol
Fica firme, como eu
Abano ao sabor do vento
Mas não caio
Choro quando chove
Mas logo volto a sorrir
Desenho a minha árvore com mil ramos
Para mil caminhos percorrer
As cores da minha vida
São as mesmas do arco-íris
Neutras ou brilhantes
Mal se vendo ou marcando presença
Assim é uma vida
Em forma de árvore

Publicado por lobalpha em 09:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

Não Preciso de Ti

Pensas que preciso de ti?
Não, não preciso
Não preciso do teu sorriso
De ver teus olhos
Não preciso do toque
Quando me seguras a mão
Não preciso da tua leveza
Nem do teu brilho
Não preciso do som da tua voz
Não preciso de sentir o coração bater
Nem que me acolhas nos teus braços
Não preciso que me enxugues as lágrimas
Quando elas rolam por não estares
Simplesmente, não preciso de ti
Mas sem ti
Sem ti não sei o que será de mim

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março 30, 2005

Dias daqueles

Há sempre aquele dia
Aquele da esperança
Ou o outro que nunca se espera
Há dias que não passam
Outros que chegam demasiado depressa
Aqueles que não queremos
Há momentos que ficam para sempre
Outros perdem-se na lembrança
Aqueles que nos dão a maior dor
Queria eu não ter dias destes
Queria eu dizer o que calo
Mostrar o que bate
Revelar mais outro segredo
Queria que visses
Vissem o brilho baço que se estende
Ficando inundado de sal
Escorrendo, molhando as faces
Morrendo nos lábios secos
Sem o sabor daquele beijo
Que um dia provei
Um daqueles dias que sonhamos
E nunca chegam

Publicado por lobalpha em 02:13 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 29, 2005

Procurei

Parti à procura do mar
Um deserto de pedras encontrei
Afiadas como facas
Esperando que escorregasse
Lançando-me desafios
Percorri-as sem olhar para trás
Saltei uma a uma, por vezes duas
Temi mas não parei
Corri como se pode correr em bicos de pedra
Pulei desafiando o equilíbrio
Sentia o cheiro do sal
O sabor do mar
Aguardava-me
Tremendo de medo, segui
Já sonhando com a água em mim
Mergulhando-me em sonhos
De desejos realizados
Uma última pedra
Um último obstáculo
E o areal apresenta-se
Para se perder neste mar que procurei

Publicado por lobalpha em 02:10 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 22, 2005

Um brilho

Olhar-te assim
Daqui
Perto
Ver teus olhos contra a lua
Brilharem
Sentir o teu sorriso nas pontas dos dedos
Desenhar teus contornos
Ouvir o bater do teu coração
Assim
Calmo
Ouvi-lo cantar para mim
Sussurrar segredos no meu ouvido
Percorrer tua pele
Explorar teu corpo
Um mundo à descoberta
As minhas mãos, lábios
Exploradores
Agora
Deixa-me adormecer
Abraçada em ti
Aqui

Publicado por lobalpha em 02:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

Vi os mares arderem
As ondas transformarem-se em cinzas
Espalhando-se com o vento

Vi o azul tornar-se negro
Coberto dos restos espalhados
Estilhaçados pelo tempo

Em lágrimas desfiz os sonhos
Correndo como pedras
Num leito seco

Publicado por lobalpha em 02:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 18, 2005

Vens assim, na tua estrada
Percorrendo o caminho do tempo
Ignoras meu amor
Ignoras meu desejo
Ignoras minha presença
Aqui.
Daqui observo-te sempre
A esta hora te espero
Olhas-me sem me saberes
Preenches meus sonhos
Acalentas minhas vontades

Publicado por lobalpha em 03:36 PM | Comentários (0)

março 17, 2005

Segredos Arrepiantes

Chega aqui
Perto... mais perto
Deixa-me dizer-te o segredo dos amantes
Aproximar meus lábios da tua orelha
Percorrê-la com a ponta da língua
Provocando-te todos os arrepios que anseias
Chega-te perto, bem perto
Deixa-me ser vampira
E puxar o sangue no teu pescoço
Deixar-lhe um rasto de saliva
Que guiará à tua boca
Dançarão teus lábios e os meus
E as línguas enrolar-se-ão como duas cobras
Chega aqui
Ainda mais...
Deixa que nossos corpos se confundam
Sem saber onde começa um e o outro acaba
Deixa que quatro amarras nos prendam
Enquanto te conto segredos de arrepiar

Publicado por lobalpha em 10:41 PM | Comentários (0)

Vem

Vem
Apenas vem...

Publicado por lobalpha em 01:44 PM | Comentários (0)

Senta-te

Vem sentar-te a meu lado
Pega em minha mão
Aconchega-a na tua
Dedos entrelaçados
Deixa-me encostar minha cabeça
Em teu ombro
Fazer dele meu descanço
Embala-me com o balanço do teu respirar
Murmura uma cantilena qualquer
Ou fica comigo em silêncio
Nesta cadeira aqui vazia
Vem sentar-te a meu lado

Publicado por lobalpha em 01:43 PM | Comentários (1)

Deita-te

Vem deitar-te a meu lado
Deixa fazer de teus braços
Minh'almofada e cobertor
De teu corpo meu protector
sentir tua respiração quente
No meu pescoço
E com ela me embalar
Ficarem nossas pernas encaixadas
Nossos corpos colados
Adormecer e acordar
Pelo meio sonhar
Vem deitar-te a meu lado

Publicado por lobalpha em 01:40 PM | Comentários (0)

março 14, 2005

Não sei para que me olhaste
Porque me tocaste
Derretendo o que em mim gelado estava
Deliciaste-me em sonhos
Deste sentido a uma parte morta
Arrancas agora este fio dourado
Puxas com a violência de um murro
Rasgas o coração sem dó
Espetas e rodas a faca
Dizes assim e agora
Com a frieza que não te conhecia
Que este lugar de nenhures
É meu mas não teu
E na lama me deixas
Atordoada com a tempestade que se baixou
A força das tuas palavras
O vazio no teu olhar
O gesto oco em mim
Mãos nuas sem ti
Corpo sedento
Morrendo

Publicado por lobalpha em 10:12 PM | Comentários (0)

março 13, 2005


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Peguei numa folha branca
A tinta negra
Desenhei a palavra vida
Olhei-a
Perdida naquele deserto alvo
Pensei riscá-la
Apagá-la
Escrever por cima
No fim, apenas dobrei a folha
Uma, duas, três vezes
e Rasguei em mil pedaços
Tantos quanto pude
Deixei-os na minha mão fechada
E no alto da montanha
Abri a mão
Deixei-a ser lambida pelo vento
E soltei os pedaços da minha vida

Publicado por lobalpha em 12:10 PM | Comentários (0)

Apagando Memórias

Vou apagando memórias
Memórias do que vivi
Memórias do que não vivi
De quem conheci
De quem não conheci
Mais ou menos amigo
Conhecidos apenas
Memórias do que foram
Do que são e do que poderiam ser
Vou apagando memórias
De um passado que passou
Marcado por um tempo
Já perdido na memória
E apagando memórias
Do que fui
Do que foram
Daquilo que eram
Do que pensava serem
E não eram
Apaguei essas memórias
Apaguei também memória de mim
Risquei-me do mapa
Rasguei-me
Morri

Publicado por lobalpha em 01:57 AM | Comentários (0)

março 09, 2005

Quando Dói Respirar

Quando dói respirar
É porque o coração está vazio
Carrega sobre os ombros uma culpa
Só dele, sozinho no seu caminho
Quando dói respirar
É porque o coração chora
Lágrimas de sangue negras
Apodrecendo tudo à volta
Corroendo até aos ossos
Roubando o ar
Apertando e sufocando
Lentamente a dor aumenta
Com prazer mórbido
Quando dói respirar
Espera a morte certa
(Errada não conheço)
Quando dói respirar
É porque a vida se esvai
Passo a passo
Matando o que ainda resta
Quando dói respirar

Publicado por lobalpha em 05:50 PM | Comentários (0)

março 08, 2005

Mulher


Desenhada a traços perfeitos
De corpo delineado
Pele delicada esticada e clara
Mãos lisas dedos delicados
olhar manso meigo
Cabelos compridos lisos
Assim é desenhada o modelo de mulher
Esquecendo as batalhas que enfrenta
As guerras que trava
As quimeras apenas suas
Rugas do tempo e sofrimento
Mãos calejadas do trabalho
Corpo transformado por outras vidas
Mães filhas meninas moças
Órfãs da sociedade
Sangue fervente corrente
Generais da vida
Comandam as tropas como nenhum outro
Sem sucumbirem a lágrimas
Suportam as dores suas e dos seus
Lambem feridas com seu elixir
Geram vida em seu corpo
Partilham o alimento
E são árvore de muitos frutos
Tristeza gravada nos rostos
Apagada do coração
Cansaço no olhar
Mas há sempre mais um fôlego
Para um outro ano de luta
Assim é a verdadeira mulher

Publicado por lobalpha em 11:26 AM | Comentários (1)

março 06, 2005

Mais Outro Copo


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Mais um copo na calada da noite
Doce amargura que me acompanha
Entre lágrimas salgadas
Um pouco deste mel para adoçar minh'alma
Destroçada
Caída e abandonada
Feita em mil pedaços
Rasgada por duas mãos
Por corpo vil
Destruidor de amores
Fogo posto num corpo seco
Apagado pelo álcool
Elixir da loucura
Do desagravo da paixão
Afogando mágoas e coração
Perdendo dignidades
Perdendo vida
Perdendo...
Noutro encontro com o fundo do copo
Vazio, como a alma sua portadora
Enche o copo
Com o desejo de tão fácil
Encher a alma

Publicado por lobalpha em 01:40 PM | Comentários (1)

Olhar II

Esse pedaço de corpo embriaga-me com magia doce, poderosa sobre mim...

Publicado por lobalpha em 12:54 PM | Comentários (0)

Olhar I


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Prendo-me naquele olhar
Arrepiante, congela-me a dor
Prende-me à vida
Com amarras de corações
Qual apaixonada intemporal
Não sigo mais sem ele
Aquele olhar
Que incendeia o mais lindo sorriso
Rastilho para uma felicidade
Inocente
Gargalhada com notas de música
Gritando a tristeza para longe
Abraçando o doce embargo de um beijo
Aquele olhar que me prende ao amor
Lindo
Em si único

Publicado por lobalpha em 12:46 PM | Comentários (0)

Mil Braços


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Mil braços rodeiam-me

Num único abraço milenar

Protegendo-me das cores

Agasalham-me do vento

Murmurando segredos

Sou deles

Apenas deles

Publicado por lobalpha em 12:32 PM | Comentários (0)

março 04, 2005

A Fuga

Pés feridos, em sangue corrente
Corre contra o vento
Secando as lágrimas à nascença
Corre com roupa suja
Rasgada
Trapos que cobrem o corpo fino
Desajeitado da luta
Corre em zigue-zague
Braços abrindo caminho
Por entre a névoa do olhar
Corre na procura duma esperança
Não olhando para trás
Uma pedra no caminho, cai por terra
Sem desistir, vermelho escuro já espalhado
Outra corrida para longe
Bem longe
Prende a vontade à vida
Manda o medo correr
E corre...
Corre alma suja,
Desejando um último fôlego
Ansiando o último golpe
Contra-natura deseja o fim
Mas o corpo corre
Não desiste, não cede
Caminhada no deserto em busca do oásis
Renova a alma, alimenta-a de esperança
Resuscita o desejo da vida
E corre
Sempre a correr...

Publicado por lobalpha em 05:55 PM | Comentários (0)

Infelicidade Garantida

Dois mundos às avessas
Numa ilusão que se arrasta
Não conhecendo o começo
Segue ganhando vontade própria
Não sabendo verdade ou mentira
Vai corrida sem fim
Ilusão que aquece o coração
Sentir inventado pela solidão
Engana a mente, disfarça a fome
Um pedaço de pão duro
Alimentando
Cresce o engano
Cresce o desejo de ser enganado
Quatro braços que se encontram
Em noites frias, cúmplices
Duas almas que se afagam
Seres idiotas que se complementam
Num ilusão que se arrasta
Não conhecendo o fim
Seguem aceitando a fatalidade
De uma promessa de infelicidade
(Garantida)

Publicado por lobalpha em 05:48 PM | Comentários (0)

março 03, 2005

Outro Mundo

Afasto-me deste mundo por segundos
Uma viagem imaginária
Fecho os olhos e divago
Deixo a mente voar sozinha
Livre como ela gosta
Inventa o seu lugar
Cria os seus viveres
Rios de risos
Gargalhadas que se espalham
Largando sementes ao vento
Espalhando melodias pelo ar
Queria ficar neste mundo
Onde as cores não têm nome
Guardo o meu novo mundo na memória
Regresso a este de onde sou
Nascida e criada
Mas não prisioneira

Publicado por lobalpha em 05:54 PM | Comentários (1)

março 02, 2005

Pura Lucidez

Foi num momento de pura lucidez
Parando à espera do sinal para avançar
Olhou em frente, um raio de sol fugiu
Sentiu as pernas cederem ao impulso
O corpo caindo por terra
Movimentou-se sem sentido
Seguiu o raio fugido
Tentou correr sem saber porquê
Estava amarrado sem ver as amarras
Era a força que o puxava
Sentiu o raio bem de perto
Inundando-lhe os olhos
Sufocando-o com a claridade
Sumiu...
À volta dele fizeram um círculo
Ninguém lhe tocando
Um silêncio rompido por um esgar de dor
Dor de outros, porque aquele
Não tinha mais dor a sentir
Estendido no chão
Vazando a vida roubada
Num momento em nada lúcido

Publicado por lobalpha em 02:00 PM | Comentários (0)

março 01, 2005

Percurso Diferente

Um outro caminho pela avenida
Uma nova paisagem por outros prédios
Um vislumbre do céu em fogo
Queimando por cima da pedra
Arrasto os pés um pouco
Caminho de cabeça baixa
Observando linhas irregulares
Marcadas pelas pedras da calçada
Desvio-me de um e outro obstáculo
(pouco citadino)
De uma ou outra pessoa
A quem sou invisível
Ergo os olhos
Para sentir o fim da tarde
Aroma de monóxido de carbono
Evito respirar fundo
Alegro-me com o fim do dia
O regresso a casa
A melancolia do sol a deitar
Ouço já o comboio que me espera
Um outro regresso
Num percurso em pouco diferente

Publicado por lobalpha em 09:33 PM | Comentários (0)