Um momento que fica
Aqui, entre nós
Eu e tu, numa escuridão
Uma vela morango
Uma batida suave
Tu olhas-me
Eu danço
Para ti movo meu corpo
Deixo a musica guiar-me
Presa no brilho do teu olhar
Ouço o teu pensar
A forma como me amas
O prazer que antecipas
E danço, danço
Para ti
Como uma onda vou
Na tua praia termino
E mais uma noite em ti me entregar
Neste momento nosso
Outro entre todos que vivo contigo
Um momento que fica
Pedes-me para pensar
Usar a cabeça e parar de chorar
Como pode alguém ser racional
Quando sofre?
Como pode alguém limpar as lágrimas
Sentindo o peso do mundo?
Como?
Como pode alguém esquecer a dor
Quando essa mesma lhe sufoca o coração?
Pedes o impossível
A quem já só sente a mágoa
Passei a água pelo corpo
Lavando de mim o teu cheiro
Deixando correr para longe
O pouco que aqui ficou
Lavei a alma, despejando o coração
Chorei a dor da despedida
Misturando lágrimas de alegria
Relembrando uma vida
Dias vividos um por um
Guardando na memória
Cada beijo, cada abraço
Cada momento escolhido no olhar
E um por um deixo correr os sonhos
Levados pela água
Corridos nas lágrimas
Limpando a alma da mágoa
De não acordar a teu lado
Fica no ar a tua ausência
Saudade que entrego agora
De pés juntos jurando
Não mais voltar a amar como te amei
Não encontro razão para não lhe dizer
Contar-lhe as noites em que sonho com ele
As tardes que passo a imaginá-lo
Um primeiro beijo um olhar cúmplice
Silêncio no ar e apenas os lábios a tocarem-se
Não encontro razão para não lhe dizer
Que vivo a sonhá-lo aqui
O seu abraço, o seu cheiro
Quero dar-lhe a mão e dançar
Sentir o ritmo do seu corpo guiando-me
Como me tem guiado nos sonhos
Sonhos que sonho acordada
Recordando cada detalhe dele
O som da sua voz ecoando em mim
Como um segredo murmurado
Não encontro a razão para não lhe dizer
Mas também não consigo soltar a voz
Quando junto dele estou, corpo com corpo
(Quase) Como nos meus sonhos
Fica a esperança que me leia o olhar
Porque esse não o escondo... não dele!
Quando era miúda costumava dar largas à imaginação, como todas as crianças. Muitas, bastantes mesmo, foram as vezes em que sonhei saber artes marciais, saber bater nas pessoas, poder ter a segurança de fazer frente aos maus e sair vencedora. Dar uma valente tareia nos que se portavam mal, ser uma guardiã dos fracos e oprimidos… um pouco uma Robina dos Bosques (sem as collants verdes!). Passaram-se os anos e nada de arte marcial. Ainda assisti a umas aulas para ver se me agradava, mas não gostei do que vi. Nada daquilo fazia parte do meu sonho, era demasiado rígido, não tinha aquele conteúdo de ter um mestre a passar-nos a palavra, a dar-nos a sabedoria. Sim, também fazia parte da minha imaginação ter um mestre que me diria algo que eu só perceberia anos mais tarde num “flash back” quando me encontrasse numa situação complicada.
Passaram-se muitos anos e muitas situações complicadas, em nenhuma pude recordar qualquer palavra sábia de um velho mestre, nem pude aplicar os meus conhecimentos (ainda não) adquiridos em artes marciais – felizmente nunca precisei de aplicar qualquer tipo de conhecimento marcial a nível físico.
Não sei ao certo quando nem como ou porquê ouvi falar duma arte marcial que me pareceu ser boa para mim – o Taijiquan. Sei que fiquei com aquela palavra na cabeça, na altura procurei saber onde poderia aprender mas as minhas buscas não deram frutos, pelo menos não os desejados. Fiquei a saber algumas coisas mais sobre o Taijiquan, principalmente os bons resultados a nível de relaxamento e terapêutico. Apesar de não ter encontrado, não o esqueci e quando me deparei com uma situação em que “nadava ou afogava” resolvi investigar novamente sobre o Taijiquan. A partir deste momento a minha vida mudou, mudou para muito melhor.
Iniciei a minha caminhada, uma caminhada que vai ser longa e por vezes penosa, mas na qual estou disposta a apostar. Não escolhi mestre, nem fui escolhida, mas o “mestre” que me calhou ensinou-me mais do que uma arte marcial: ensinou-me a pensar de novo, a descobrir coisas novas, ganhar a curiosidade inata nas crianças que eu havia perdido.
No Taijiquan tenho aprendido a conhecer-me, deixei de aceitar a derrota sem lutar, hoje faço aquilo que gosto e gosto do que faço.
Além de treinar Taijiquan, iniciei o treino do Shaolin (comumente conhecido por Kung Fu). Tinha medo, pois deixei de poder fazer exercícios “puxados” há algum tempo devido a problemas de saúde, mas hoje consigo correr mais de quinze minutos, consigo passar uma hora inteira dividida em corrida, saltos, abdominais, flexões (ainda poucas) e alongamentos. Coisas para as quais eu não tinha resistência e ganhei, um ano depois de ter iniciado o treino no Taijiquan… venci uma depressão, ganhei nova resistência a nível de saúde física, desenvolvi resistência ao exercício e acima de tudo sinto-me feliz!
Hoje sei ser minha guardiã e dar um valente pontapé no… dos meus problemas, não lhes fujo nem os enfrento feita durona, procuro compreendê-los e resolvo-os. Sou forte.
Em suma:
Recuperei o brilho que desaparecera, conquistei o meu corpo, venci a minha mente e ganhei a minha vida.
Numa noite destas hei-de saber
Hei-de saber a que sabem teus beijos
O gosto da tua boca misturada com a minha
Hei-de saber esse teu gesto de me enrolares em ti
O forte que crias à minha volta adocicando o frio
Hei-de saber todo esse calor que vem do teu corpo
Aquecendo o meu suavemente com a tua chama
Hei-de saber esse brilho que desejo teu
Quando me olhas e te prendo em mim
Numa noite destas hei-de saber
Hei-de saber como é ser tua e ter-te meu
Acendo mais uma vela
Tentando ter uma luz no escuro
Observo-a dançando
Imagino-lhe um corpo
Canto-lhe uma música
E vejo-a sorrir
Invento-lhe o par
Dançam juntos
Alegres
Duas velas sorriem
Para mim
Ao som da imaginação
Vivem
Por mim
Sem inspiração para escrever
Entrego um destino a teclas gastas
De tantas palavras já corridas
Com mais ou menos significado
Mais ou menos sentidas
Teclas já lavadas de lágrimas
Outros tempos passados
E outros tempos vindouros
Peço mais um pouco de paciência
Olho dois olhos no espelho
Tento ver a alma
(Não acredito que exista)
Mas procuro na mesma
Sem saber o que encontrar
Assim escrevo sem saber
Procurando nas palavras
A alma que não vejo no espelho
Procurei-te menina perdida
Procurei-te com olhos rasos d'água
Um encosto, um sorriso
Um abraço aguardado
Procurei-te e no vazio caí
Cresci menina sozinha a teu lado
Cresci procurando por ti
Esperando assim tornei-me mulher
Uma palavra, um gesto
Uma palmadinha nas costas
Olhando-te com admiração
Passavas-me ao lado
Partiste e eu fiquei
Depois duma vida junta
A separação podia aproximar-te
Mas cada vez para mais longe foste
Sempre tão perto de alcançar
Lançaste-me para fora do teu barco
Deixaste-me à deriva numa maré louca
Negaste uma existência
Presa no sangue que nunca neguei
E agora, mulher feita não te sigo mais
Para longe me deixo arrastar
Colocando os pés no chão
Afasto-me eu, cansada de uma guerra que não entendo
Que nunca entendi
Não fecho portas atrás de mim
Ficam encostadas para que as abras
Pode ser que um dia me encontres atrás duma
Esperando por ti
De braços abertos, para aquele abraço
No percurso da vida julgamos ser donos de muitas verdades
e certezas
Quando tropeçamos largamos uma maldição à pedra
Não perguntamos porque está ela ali
Ou porque não a vimos
Caminhamos com a cabeça demasiado erguida no orgulho
Ou demasiado baixa na vergonha
Esquecemos de olhar o caminho
Vamos com demasiada pressa
Ou vamos perdidos
Não sabemos apreciar a vida
Passamos paragens
Perdemos momentos
Sempre com pressa de chegar a nenhures
E no fim a única certeza que nos espera
É a morte
Seja o nosso rumo para sul ou para norte
Ontem pensei em ti
Ao deitar, ouvindo o vento
Pensei como seria o encontro
Se voltaria a sentir as tuas mãos
Os teu olhar... como só tu me olhas
Pensei em ti, ali comigo
Abraçando-me, dando-me calor
Protegendo-me do frio
Imaginei-te
Sonhei-te junto a mim
Sempre o teu toque
Sempre a tua mão na minha
E os teus olhos...
Não os feches
Fazem-me sentir viva
Tocam-me como nunca
Vês bem para lá da minh'alma
...
E eu gosto assim
Foi assim de mansinho que senti
As tuas mãos deslizarem
Percorrendo meu corpo
Senti a chuva cair em nós
Um aperto suave, teu em mim
Dois braços que me rodearam
Teu encosto, coração acelerado
E a chuva...
Olhos nos olhos, desejando
Sentia o medo congelar-me
Prendi-me em ti como criança
Num segundo invadiu-me o calor
Teus lábios junto de mim
A tua respiração,
O ar quente saindo de ti
Arrepiando-me no pescoço
Sentir tua boca percorrer-me
Procurando a minha
Esqueci o medo
Nada em mim se separa de ti
Vou ao encontro
Deixo-me beijar
Uma lágrima que se confunde com a chuva
Uma gota de sal que escorre
Um medo que se apaga
E o teu beijo no meu
Provocando ondas de calor
(este já é antigo, mas é uma pérola e já me valeu umas boas doses de risadas...
se não estou em erro foi escrito algures em Maio de 2003... velhote)
"Gosto de ti"
"A sério?!"
"S, a sério"
"Mm?!"
"S"
"N acredito!"
"Pq?"
"Tu gostas de mim?"
"S"
"Tu... de mim..."
":)"
"Eu tb gosto de ti"
"A sério?"
"S"
"Mto?"
"Mto, mm mto"
":D"
"Se tu gostas de mim... e eu gosto de ti..."
"Sim...?"
"Bem... n keres?"
"O q^?"
"Podíamos ir sair..."
"SIMMMMMMM...nc + pedias!"
"Tava c vergonha"
"lol a sério?"
"S"
"Vergonha?"
"S"
"Ag já n tens"
"N"
"Et e como fazemos?"
"Pois..."
"Pois... :("
"Vai ser dificil, né?"
"Acho q sim"
"Mas gostas de mim"
"Sim, e tu de mim"
"S"
"No fds posso ir aí"
":)"
"Saímos"
"Fico à espera"
"Como te reconheço?"