junho 30, 2005

Comedor de Almas

Um rasgo de loucura invade a alma
Quem paga é o ser
Embrulhando asneiras nascidas no nada
Queima o corpo
Sem nada saber, crescendo na ignorância
Estupidamente se deleita
Em prazeres moribundos, onde o corpo já não importa
Petrificando um coração
Mata e come do desejo
Outro corpo possuído com ganas de mais
Nunca saciando
Mórbido viver de corpos em podridão
Estúpido comedor de almas

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junho 29, 2005

Fim

Num momento de angústia
O céu desenha-se negro
Rompendo desejos de amor
Minando almas inocentes
Segredando um nome
Um único nome
Que se prende simples
Num fio…
Seca-se o corpo, morrendo
Abranda o coração na vontade de viver
Esfuma-se o sonho
Breves relâmpagos de lembrança
Daquele sorriso murmurado
Torna-se grande a noite
Para um ser tão pequeno
Encolhe, mirra no deserto forçado
Solta-se o nome no esquecimento
Rasga-se o fio
Desaparece o ser.

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junho 27, 2005

Rasgo o Corpo

Rasgo o corpo e mostro a alma
Aqui vive um ser, bate um coração
Anseia quem o abrace, quem o aqueça
Rasgo o corpo e solto um grito
Estou aqui, mais do que vês
(sou eu)
Não me dou mais ao prazer
Esqueço o quanto te quero
Lembro o que sou, quem sou
Rasgo o corpo, queimo cheiros
De outras mãos, de outros tempos
Liberto a alma rebelde
Luta por um momento
Um canto de paz, um sorriso
Rasgo o corpo e esqueço de ti
Doença de amor, paixão
… ou talvez não
Escrevo teu nome numa folha de papel
Rasgo-a, apagando-te de mim
Queimo cada letra tua, queimando um pouco de mim
Junto os pedaços do meu corpo
Como num puzzle, peça a peça
Encaixo todos
(sobrando um no lugar do coração)

Publicado por lobalpha em 10:27 AM | Comentários (0)

junho 23, 2005

Dor

E assim ouvi as estrelas
Chorando uma vez mais
Na triste despedida dos amantes
Caíram os raios
Afogados na poeira do adeus
Fechou os olhos, a lua
Chorando pelos perdidos
Gritei eu pelo nome do desejado
Grito de agonia, soco seco no peito
Choraram as nuvens
A dor que viram
Tremeu a terra na força da angústia
Desabaram as montanhas
Secaram os mares
Perdeu-se o mundo
Réstia do amor
Num último olhar
Lágrimas caindo
Almas sufocadas
“adeus” fugido num sopro…

Publicado por lobalpha em 11:50 AM | Comentários (0)

junho 20, 2005

Sinto Uma Brisa

Sinto uma brisa no ar
Que morre em tuas faces
Nascendo de um suspiro
Que na fraqueza soltei
Um momento que deixei
Pensar em ti ausente
A falta desse olhar
Magia quente em mim
Sinto uma brisa
Morrendo só nestes caminhos
Suspiro amargo
Louco enlouquecendo
Perdido numa solidão
E em festa desesperada
Canta teu nome, o coração
Sonhando mais um dia
Nesta brisa que sinto
Fugida de mim
Reclusa no teu beijo
Parte-se no ar
Caída por terra
Morre a brisa seca
De um louco na noite

Publicado por lobalpha em 04:00 PM | Comentários (0)

junho 19, 2005

Há um desejo que se desenha no ar
Uma vontade de não sei quê
Misturada com aroma doce
E um olhar que se perde
Lançado numa multidão sem destino
Corre louco sem saber
Onde vai parar
E segue-lhe outro desejo
E outro... e mais outro
Fica o ar carregado
Desejos por realizar
Desenhos desalinhados escritos
Pensados
Ficam ali sem dono
Sem porquês
Assim, com a vontade de sonhar
Lembrando balões de desenhos
Prestes a rebentar
Com o simples toque de uma agulha

Publicado por lobalpha em 11:52 AM | Comentários (0)

junho 13, 2005

Cavalo Branco

Corre agora, livre
Deixa o vento doce tocar-te a crina
Mostra a tua vontade
O teu querer
A tua força
Mostra como sempre viveste
Livre em teu pensamento
Nas mil lutas que travaste
Não te rendeste aos monstros
A indiferença que combateste
Injustiçado e mal-amado
Corre agora livre
Nos corações e nas memórias
Sempre serás o nosso
Cavalo Branco!

Publicado por lobalpha em 11:45 AM | Comentários (6)

junho 08, 2005

Encantas-me

Encanta-me essa forma estranha de seres
Livre de tudo sem amarras respiras
Encanta-me esse teu olhar sempre longe
Em viagens incríveis gostaria que me levasses
Encanta-me o teu cheiro pela manhã
Aroma que se prende na pele e não o quero largar
Encanta-me a tua meiguice quando preciso de carinho
Enchendo meu coração de doces
Encanta-me tudo em ti que vejo e saboreio
Encanta-me esse teu jeito desajeitado
Esse teu andar despreocupado
Teu respirar solto na maré
Encanta-me o teu toque na minha pele nua
Percorrendo sempre novos caminhos
Encanta-me a forma como me encantas
Cada vez mais um pouco
Como me encantas...

Publicado por lobalpha em 10:24 PM | Comentários (3)

junho 07, 2005

Chama do Prazer

É um arder lento do coração seco
Não sentir mais as tuas mãos em mim
Este desejo que me consome, de ti
A vontade de te voltar a sentir
O prazer que em ti bebia
Deixando-me embriagada do teu corpo
Do teu sexo
Aquela doçura em nós partilhada
Em nós vivida
Momentos loucos de puro prazer
Onde teus lábios percorriam meu corpo
Largando rastos seguidos pelos teus dedos
Provocando-me ondas de calor
Corpos suados
Na luxúria envolvidos
Dava e recebia tudo
Sem pudor, sem medo
Teu sexo e o meu, juntos
Em ciclos repetidos, vai-vem ensurdecedor
Do silêncio que nos rodeava
Apenas os corpos falavam
A língua do amor
Aquela que agora me deixa
Sonhando com tudo o que recebi
Ansiando de novo
Acender aquela chama
Que deixaste morrer ao partir

Publicado por lobalpha em 11:46 AM | Comentários (0)

Levou-me a Paixão

Tentei pintar a vida de cor de rosa
Dar-lhe os tons suaves do arco-íris
Tentei sorrir na amargura
Não fazer caretas frente à tristeza
Tentei saborear cada momento
Sentir-lhe outro toque dourado
Procurei não me queimar
Sempre que brinquei com o fogo
Ferida fiquei, ave caída
Embriagada numa solidão conhecida
Deixei arder a chama até à escuridão
Ouvindo as palavras que queria
Serem minhas, em sonhos
Mataram este coração
Que insiste incendear sempre mais uma vez
Cada outra com menos fulgor
Apagando-se com pouco sopro
Brisa leve que tudo leva
Tentei proteger-me do vendaval
Mas em vão, levou-me a paixão

Publicado por lobalpha em 12:14 AM | Comentários (0)

junho 01, 2005

Oh Santana! (um trocadilho)

"Vai de rectro, oh satanás"
Demonho que tentas apoderar
Foge de mim que não te quero
Fuga daqui para fora já!

Publicado por lobalpha em 01:58 PM | Comentários (0)

Novas Vitórias

Houve um dia passado
Em que as palavras não tiveram valor
Outro dia veio para banhá-las a ouro
Palavras certas no momento certo
Não o sabe quem as diz
Sente-as quem ouve
Brilham no escuro de almas perdidas
Luzem respirando nova vida
Carregam a força para continuar
Quando a derrota se aproxima
Novos dias se aproximam
Novas lutas se travam
Com aquelas palavras ecoando
Novas vitórias carregarei

Publicado por lobalpha em 01:56 PM | Comentários (0)