guardo um desejo na alma
e outro no coração
guardo uma vontade de ti em meu corpo
sede do teu beijo
esfria meu ser sem teu abraço
morre um desejo de querer
nasce a vontade de esquecer
alimentada pelas lágrimas que não secam
choro eu na tua distância
distância que quero curta
sentindo-a mais longe
escorrego e deixas-me ir
afasto-me e não sabes meu nome chamar
O que te posso dizer?
Ama-me?! Volta?!
Só sei que quando estou contigo
O tempo voa
Um abraço teu é sempre curto demais
Um beijo teu puxa a vontade de outro
O teu sorriso aquece-me
O teu toque fica marcado
A teu lado sou feliz e quero sempre mais
Mais um pouco contigo
Mais um pouco de ti
Não te sei esquecer
Procurei-te em cada homem que conheci
Em cada corpo que me possuiu
Procuro-te em cada sorriso
Em cada gesto
Só em ti te encontro
E em ti me perco
Quero que me agarres
Diz-me porque não me amas?!
Sei que comigo a teu lado és feliz
Vejo o teu brilho
Vejo o teu sorriso
Sinto o teu desejo
Mais que luxúria
Mais que prazer
Sinto a felicidade quando juntos estamos
Sinto este amor destruir-me por não o sentires
Por o recusares sentir
Afastas-me quando chego
Agarras-me quando saio...
Adoro sentir nossos corpos juntos
A tua respiração dizendo-me que ainda ali estás
Adoro rir contigo
Estar de mão dada, apenas tocando-te
Sentir-te procurando por mim
Tudo me diz que me queres
Menos tu...
Negas o amor que te posso dar
Negas que me possas amar
Dás-me esperança quando a meu lado estás
Matas-me quando longe não me falas
Sinto saudades...
Horas a conversar, horas a rir
Saber que estás ali mesmo quando não há palavras
Saber que voltas...
Já não sei!
Tento não querer
Tento não esperar
Queria amar-te com o teu amor
Amo-te com a tua indiferença
E sofro...
Não mais quis eu chorar
Mas agora, correm-me as lágrimas
Sinto o coração apertado
E tudo o que quero é esquecer
Só tu tens a chave para a minha liberdade
Só tu me podes soltar
Que mais te posso dizer?!
Ama-me...
ou não
Não sei que palavras te hei-de desenhar
Palavras de amor, palavras de tristeza
Todas para ti servem naquilo que estou a sentir
Sei que te amo como não queria
Sei que estou triste por não me amares
Como eu queria...
Quero olhar-te nos olhos
Quero provar do teu beijo vezes sem conta
Dar-te em meu corpo espaço para passeares
Teus dedos provocando-me
Tuas mãos agarrando-me
Forte, como sempre te imagino
E assim fico possuída neste amor
E nesta vontade de desenhar palavras
Palavras que nunca conhecerás
Levei uma palmada
Bem forte e bem dada
Levei de tal maneira
Que não foi brincadeira
Aquela que marcada ficou
Tão forte que pelos montes soou
Levei-a comigo na recordação
Rezando uma oração
Que aprendi naquele lugar
Para nunca mais lá voltar
Coisa triste que se chama alma
Revela sempre um pouco daquilo que se quer segredo
Alma triste que chora
Força grito que o corpo cala
Alma que obriga a viver
Quando o ser quer morrer
Deixo a lágrima cair
Enquanto olho para as mãos vazias
Deixei escapar-te quando te podia agarrar
Deixei que voasses pelo prazer de te ver livre
E agora...
Pensei que voltasses por não te prender
Imaginei teu amor igual ao meu
Sem amarras...
Choro agora por outras mãos te segurarem
Outro corpo tem o teu
E eu que esperei...
Deixo as lágrimas cairem
Perdi a oportunidade de te ter
Perdi a vontade de lutar
Destas lágrimas salgadas não saberás
Deste amor que hoje morre
Não provarás
E um sorriso vou desenhar
Para a minha dor não conheceres
É esta estúpida maneira de te querer
Deixando-me leve a sonhar a noite inteira
Tendo-te meu naqueles instantes
Pequenos momentos em que nossas faces se tocam
Tento prender em mim a recordação de cada pedaço teu
O som do teu beijo, a lembrança do teu perfume
Tudo fica ressoando em mim a cada batuque do coração
Levo-te comigo a cada partida
Esse teu doce olhar brilhando no escuro para mim
Essa tua forma carinhosa de dizeres meu nome
As palavras que sussurras no meu ouvido
Deixando-me arrepiada
A tua mão prendendo a minha cintura
Uma despedida com sabor a pouco
E aquela vontade de não partir
Aquela vontade de ficar
Pendurar-me em teu pescoço
Segurar-me a ti como uma criança
Deixar que me guies para o teu mundo
O querer cego de mais cinco minutos contigo
Que passam sempre demasiado depressa
Chegando a saudade ainda antes de me afastar
Olhando teus lábios com esta fome de ti
Sentir o coração apertar por não os ter para mim
Sentir o teu olhar dizendo-me o mesmo
E o "mas" que fica no ar seguido das reticiências
Que nenhum de nós quer preencher
É esta a maneira estúpida de nos querermos
Senti que te perdi
Sem sequer te ter
Senti que de nada valia a esperança
Sem sequer uma tentativa
Senti que me fugias do olhar
Sem nunca me teres visto
Senti que não merecia o teu gesto
Sem saber a verdade
A verdade que está hoje escrita no meu coração
Aquela que anseio por te contar
Aquela que me diz ser mentira
Que não te perdi
Que vale a pena ter esperança
Que não me vais fugir
Aquela verdade que me diz
Ser merecedora do teu gesto
Do teu carinho
Do teu toque
Aquela que me diz ser eu
Quem te deve retribuir
Quem te deve amar
Aquela que esperas
Por seres tu quem eu espero
Sinto que te vou ganhando
Sinto que existe esperança
Em cada olhar que te aguardo
Cada gesto que desenho
Sinto que te posso amar
Imagino teu corpo
Esperando-me de braços abertos
Imagino meu corpo
Encaixando no teu, perfeito
Senti assim de repente o teu cheiro
Invadiu-me a tua recordação
E logo a tua imagem se desenhou na janela
Um reflexo da memória
O teu sorriso carregado de um olhar triste
Tentei não desviar os olhos para não te perder
Fixei-te e o teu cheiro tornou-se intenso
Percebi que falavas para mim
Tentei ouvir-te, palavras presas na recordação
Quis de novo o teu abraço
Sentir as rugas das tuas mãos
A tua pele escura do sol
Poder tocar-te de novo
Matar as saudades que não desaparecem
Relembrando a dor da despedida que não tive
Sinto as lágrimas invadirem os olhos
A tua imagem desaparece a pouco e pouco
Tento não perdê-la
Seguro o teu cheiro velho em mim
E recordo-o de noite ao dormir
vejo-te de longe olhando o infinito
como quem espera na noite pelo sol
assim te vejo... esperando
ignoras minha presença,
procuras no sentido oposto
penso que o mundo cai se não me vires
espero um dia e outro seguido
olho-te como tu olhas esse céu
céu que se estende à tua frente
cegando-te de tudo o que eu espero
julguei soltar um soluço desesperado
por te ver cada vez mais longe
um sorriso teu no rumo de um olhar
pendurar-me por um fio na asa duma nuvem
pairar na tua janela quebrando a linha desse olhar
impôr-me a ti como te imponho a mim
forçar-te a veres-me, teus olhos nos meus
saber falar-te, saber sorrir-te
esticar a minha mão e sentir-te puxar-me para ti
esquece esse infinito e olha para mim
pousa teu doce ver, descansa os olhos
deixa-me beijar-te a alma