Tenho as palavras a queimarem
Pedindo-me para as soltar
Sem entender, elas correm
Livres como devem
Sinto a alma em fogo
Queria acreditar nela
Crer que ela existe
Apenas para a poder acalmar
Sinto-a inquieta
Sabendo que não a tenho
Sinto o bater do coração
Forte, mais forte a cada palavra
Sinto a alma adormecer
Suave, muito suave
O descanso duma guerreira
Que combate mil dragões de fogo
Corre em campos de combate
Todos por mim inventados
Queria eu acreditar em ti
Alma minha
Sentir-te além da tristeza
E saber-te real
Sentir-te além da amargura
E crer-te... sincera
Solto aqui as palavras
Que há dias me suplicavam
Invadindo o pensamento
Nesta quieta loucura
Esperando o impossível
Querendo o que não existe
E esta alma que chora
Esta alma que tenho agora
Não a sei minha,
Emprestei-a de outro pobre ser
Por a minha ter sido levada
Para lá de todas as palavras
Foi forçada a ir embora
Aquela minha alma.
Sinto cair em mim um azul pesado
Tenta derrubar-me, atirar-me do abismo
Vem com a força já conhecida
Desprezando tudo o que sou
Cai sobre mim em pedra
Querendo arrastar-me para a merda
Finco pé na teimosia saudável
No não querer sair
Não querer mais fugir
Vida filha da puta que me cerca
Em caminhos labirínticos
Sugando-me para o buraco negro
Para onde jurei não voltar
Agarra-se com unhas
Cravando-me a pele
Largo um grito de força
Olhando o monstro nos olhos
Não ignoro esta vontade
De ter a vida vivida
Apago o azul negro
E deixo nascer em mim uma outra cor
Leve de esperança
Jovem de querer
Alegre na vontade
Assim desenho novas cores
Numa nova forma de felicidade
Quero falar-te da Saudade
Este fado português
Que há muito não lembrava
Sinto falta dos momentos
Aqueles que ainda não partilhámos
Sinto falta do teu cheiro
Aquele que não tive tempo de reter
Sinto falta do teu toque
O teu beijo
A minha mão passeando em ti
Tenho Saudade
Saudade que não conheces
Onde estás não existe
Aqui, tenho-a comigo desde que partiste
Um abraço fugido
Um beijo esquecido
E eu aqui
Neste fado da saudade que te guardo
Tenho as palavras presas
Querem sair e atropelam-se
Em pensamento saltam
Misturam-se numa salada russa
Que eu não compreendo
Procuro uma resposta
Um entendimento
Algo que dê uma luz
Uma resposta a esta pergunta que me faço
Que me enche o pensamento
Porquê este sentir
Se nem sei que sentir é este?!
Confunde-me o bem que me sinto
Confunde-me nada saber
E não me importar
Confunde-me saber esperar
Foi e é estranha esta paz
Calma que sinto
Talvez apenas cansaço
Não sei...
Espero um regresso
Um encontro...
Recordo o pouco que tivemos
Recordo com carinho
Desenho um sorriso involuntário
Aconchega-se o sossego neste coração
Não quero contar os dias
Mas espero
O que será, será
Whatever will be, will be
há memórias que nunca se apagam
outras vão morrendo lentamente
tanto tentei tirar-te de mim
apagar-te do pensamento
esquecer-te do meu coração
nada consegui
hoje que não te queria esquecer
agora que quis sentir
acabei por me esquecer
acordei com o pensamento livre
sem mágoa ou outra dor
apenas a leveza de quem esqueceu
olho-me ao espelho e gosto de mim
sou capaz de sorrir com vontade
estou feliz longe de ti
nunca o percebi
sei viver sem te ter perto
sei rir e sei brincar
sou expontânea na vida
não preciso mais da angústia de não te ter
de não me quereres
porque agora já eu não te quero também
nunca apagarei as memórias
mas o amor morreu
de morte lenta.
Quero dançar contigo ao sabor desta brisa
Sentir meu cabelo perder-se em teu corpo
Tua mão segurando-me, firme na doçura
Quero dançar contigo descalça na areia
Sentir-te respirar junto a mim
Confundir meu ser com o teu
Quero dançar contigo dentro de água
Sob um céu estrelado, manto nosso
Sentir o teu desejo aumentar
Quero dançar contigo embalando-me
Lentamente conduzindo-me para dentro da noite
Sentir o meu prazer a multiplicar
Quero dançar contigo
...
Cá vai disto, ó Zé:
A minha chama de inverno quero que sejas
Poção de amor eterno
Paixão assolapante e cavalgante
Meu éter dos deuses
Néctar doce embriagante
Sol dos meus dias
Luar da minha noite
Fogo disperso espalhando brasa por mim
Quero que sejas tudo isto
Correndo forte, voando
Enconstras descanso em meu vale do amor
Subindo a encosta suave
Pela lisa pele do meu corpo
Quero saciar tua fome com meus beijos
Alimentar tua carne com a minha
Estrela do meu céu
Lágrima que não rola
Sorriso do meu coração
Tudo isto quero que sejas
Quero ser as asas que te levam ao céu
Quero guiar-te na estrada de prazer
Segurar-te em nuvens de algodão
Embalar-te em doces beijos
Suave sorriso desenhando-se no teu rosto
Breve suspiro de amor
Quero ser o teu apoio
Quero proteger-te e adorar-te
Sentir a tua beleza encher meu coração
Teu calor morno na minha pele
Deixa-me ser tuas asas
E contigo voar