Não sei porquê
Não sei porque não
Sei que sim
Talvez não o saibas
Sei que sim, sim senhor
Se não o sabes... não sei
Sabes tu porquê?
Sabes tu porque não?
Sabes, sabes
Finges não saber
Sei eu!
Sei que não
Não sabes o que eu sei
Sabes o que não sei
E quero saber
O que sabes
Diz-me, sabes?
Sei que sim
Sabes que não
Também sabes que sim
E eu que não sei
Não sei porquê
Não sei porque não
Espero que saibas
O que eu quero saber!
Um momento antes de adormecer
Quase rezo por um dia melhor
Quase me entrego a um desespero
Que não quero
Naquele momento é quando fecho os olhos
Com força, tal força que magoa!
Fecho-os para que tudo fique negro
Sem uma réstia de luz à minha volta
E quando começo a sufocar
Abro-os violentamente
E as cores escuras da noite assaltam-me
Desvendando-me todos os cantos
Do meu velho quarto
Deixam-me perceber todas as fotografias
Os livros
Os bonecos
Mesmo neste quarto escuro
Um momento antes de adormecer
Faz-se luz e desaparece o desespero
Mais uma noite que adormeço
Mais um dia que se inicia
Ponho uma música a tocar
Deixo a melodia dançar no ar
Fecho os olhos e imagino
Recordo
Sonho
Deixo o vento beijar-me
Ouço as ondas baterem fortes
Gritam a dor que não posso exprimir
Gritam a mágoa que não quero mostrar
Rasgam as memórias que não esqueço
Rasgam as pegadas que deixamos juntos
Aumento o volume
Não quero ouvir os gritos
Não quero esquecer
Quero sofrer para saber que estou viva
Quero sentir a dor da tua ausência
Sabendo que te amo
Quero sentir a saudade do tempo que fui tua
(Ainda sou! Não o sabes?)
Mando calar o mar
Peço-lhe que não te apague do meu lado
Da tua mão na minha, nossas marcas
Gravadas na areia
Tudo ilusão!
Ilusão que me fez feliz
Acaba a musica
Começam as lágrimas
Em noites como esta chamo por ti
Deito-me sozinha com uma vela a arder
A minha luz no escuro,
Ouço uma melodia que me traz as memórias
O teu cheiro de novo ali
A tua respiração, o teu corpo quente a meu lado
Em noites como esta sonho contigo
Pergunto-me onde andas
Se voltas
Deixo a lágrima cair tímida
Rolando lentamente,
Sinto-a iluminada pela chama
O meu único calor nestas noites
De pura ausência
De pura saudade
Não choro o tormento
Não choro a dor
Choro o sabor
O teu...
Sinto assim os teus beijos
O teu abraço
Os teus dedos deslizando no meu cabelo
O brilho da vela nos teus olhos
Em noites como esta
Ouço a chuva cair lá fora
Com a vontade louca de dançar
Contigo
Treme a chama na cera liquida
Recebo o seu aviso
Aquele que nunca recebi de ti
E por isso ainda te espero
Em noites como esta