Lanço-me à descoberta
Dum novo paraíso
Procuro a paz que nunca conheci
O céu azul livre das nuvens
Sons de liberdade
Risos em música
O meu riso...
Lanço-me à descoberta
Dum novo mundo
Procuro uma vida que nunca vivi
Sangue novo correndo-me nas veias
Pulmões cheios de ar puro
Respirar...
Lanço-me à descoberta
De um novo ser
Procuro um amor que nunca senti
Preenchendo-me o coração
Sentindo o arrepio na pele
O calor da emoção
O prazer de amor e sexo
Finalmente juntos
Brado aos céus por perdão
Pelo crime hediondo que cometi
Não sei qual foi nem porquê
Mas tal deve ter sido
P'ra mercer este castigo
Presa sem amarras que se vejam
Enfeitiçada sem feiticeiro que o desfaça
Azedo gosto na boca ao provar mel
Olhos que ardem à luz do dia
Coração que geme na calada da noite
Que castigo é este, oh Céus
Que me persegue como uma sombra
Mesmo na noite sem lua
Que crime foi o meu, oh Céus
Para me maltratares deste jeito
Rogo por perdão por mais não saber fazer
Suplico o perdão por mais não querer sofrer
Ai de mim! Ai de mim!
Procurei um anjo e dei de caras com o diabo em pessoa, fugi-lhe procurando o paraíso, acabei por criar um inferno privado. Julguei que nada mais poderia acontecer, até que o inferno gelou e o paraíso ardeu.
A terra passou demasiado perto do braço de uma estrela e furou. Voou louca para fora da galáxia. Perto do fim sorri.. agora sim, nada mais podia vir.
Caímos num qualquer planeta de uma qualquer galáxia por descobrir, fui a única sobrevivente. Desfiz-me do trapo em que se transformou o meu planeta e corri para longe.
Gritei alto, Aqui vou ser feliz, de braços abertos ao vento que não soprava naquele planeta estranho. Talvez tenha gritado demasiado alto, mas a felicidade era real... assim como foram os seres que se aproximaram e levaram-me para um laboratório onde até hoje sou vitíma de experiências quimicas.
E queixava-me eu da vida na terra....
Tento voar, deixo as asas livres ao vento
Fecho os olhos, sinto-o falar comigo
Torno-me leve e quando estou prestes a soltar-me
Tu vens e prendes-me!
Com um sorriso, uma palavra ou nada
Quando chegas cortas-me as asas
Torno-me prisioneira sem vontade
De olhos abertos sou surda à liberdade
Sinto os pés presos ao chão
Raízes que me crescem e amarram
Tudo isto fazes para logo abrires tuas asas
E voares para longe uma e outra vez mais...
Queres colo... também eu já o quis
Não te reconheces... ninguém à tua volta
Também já estive nesse quarto escuro
Já me deram a papa, já me mudaram a fralda
Já me disseram "levanta-te, come, ri"
Tudo isto eu fiz... menos ser feliz
Deram-me o colo que eu pedi
Carregaram-me
Mas a tristeza não foi embora
Pesou-me ainda mais
A vida é feita de incertezas
Pois é
Mas também de "pequenos nadas"
Se queres vivê-la para ser feliz
Levanta-te e caminha com tuas pernas
Leva a tua comida à boca
Sorri por tua vontade!
Se é louco aquele que sorri por ver a lua
Então sê um louco
Sejamos os dois loucos
Loucos sim, mas felizes!
Há qualquer coisa no ar hoje
Faz-me lembrar de ti
O vento parece soprar ao meu ouvido
Largando o teu nome
Uma brisa suave
Parece aconchegar-me como só tu sabes
O calor que sinto crescer
Como tu o provocavas...
Há qualquer coisa no ar
Que me faz lembrar de ti
Não sei...
Talvez sejam apenas as saudades
Sinceramente, não me apetece escrever
Tatuar palavras de tristeza noutra folha mais
Tantas outras já foram escritas e choradas
Mil gritos calados pelo silêncio das respostas
Angústias e medos escondidos
Não, não quero escrever outro poema triste
Cansada é só o que sinto
Cansada, de novo mil vezes cansada de gritar
E outras tantas de chorar
Não sei porque escrevo, porque comecei...
Nem sei porque continuo
Posso tirar a caneta, largá-la... atirá-la para longe
Fechar o caderno, rasgar todas as folhas
Posso tudo isto, mas não posso nada
Não posso apagar as palavras da mente
Não posso apagar a dor do coração
Mas não me apetece escrever!
De tantas palavras largadas
Já não sei porque comecei
Só peço que acabe... depressa
Tudo!
No fim tudo acaba bem
Porque acaba.
Não me apetece escrever...