abril 30, 2006

Podre

Sinto algo apodrecer cá dentro
Sinto-o a definhar-se
Começo a desprezá-lo...
Enjoei-me deste sentir triste
Dia após dia
O afastar da realidade
A doce solidão que abracei
Sentimento podre é o que me resta
Morreu à fome
Enterrei-o em mim
E agora é cá dentro que apodrece
Murchando com ele o meu coração
Bate já quase frio
Bate fraco contra a pedra que o rodeia
Ergue-se esta muralha
Ainda maior que a grande
Fiz do meu peito um túmulo
Do meu ser a última morada
E agora sinto o peso do defunto
Cravar-se em mim
Leva-me lentamente ao fundo
Neste prazer mórbido de não viver
Noite após noite
São cada vez menos as lágrimas
Sol após sol é cada vez menos a vontade
Lua após lua é brutal a dor que se crava
E apodrece um coração ainda vivo.

Publicado por lobalpha em abril 30, 2006 11:10 PM
Comentários

ola andei a passear pelo teu blog e gostei.... das-me autorização para ler alguns poemas num programa de radio? Diz qualquer coisa no mail .... se sim direi mais promenores.

Afixado por: ff em maio 1, 2006 10:08 PM
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